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Mundo
15/11/2018 09:40:00

Bolha imobiliária: Com 50 milhões de moradias vazias China teme colapso do setor


Bolha imobiliária: Com 50 milhões de moradias vazias China teme colapso do setor
Ilustração

BBC News Brasil

As "cidades fantasmas" da China - municípios com uma enorme quantidade de moradias vazias - ficaram famosas em todo o mundo.

Elas se tornaram até um nicho de mercado para o turismo.

Mas para as autoridades do país são fonte de preocupação: mais de 20% dos imóveis urbanos chineses estão atualmente desocupados, o que representa cerca de 50 milhões de moradias.

É o que mostra a Pesquisa de Financiamento Domiciliar da China, liderada por Gan Li, professor de economia da Universidade A&M do Texas, nos Estados Unidos, que conta com um "exército" de milhares de pesquisadores em todo o país.

A taxa de desocupação revela que a maioria das propriedades vazias foram adquiridas por compradores como investimento, pessoas que já possuem um imóvel.

 

Li e sua equipe também descobriram que a especulação imobiliária impediu milhões de pessoas de comprar sua casa própria.

Sete das dez cidades mais caras do mundo para comprar imóveis residenciais, considerando o preço das propriedades em relação à renda média, estão na China, de acordo com dados do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Prédios em construção na ChinaDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionAlgumas das cidades mais caras do mundo para se comprar imóveis residenciais estão na China

"A evidência pode ser traduzida na pouca disposição e capacidade limitada de indivíduos e famílias entrarem no mercado imobiliário", escreveu Ga Li.

"O preço da habitação está claramente sendo impulsionado pela demanda de investimento, com a maioria das aquisições provenientes de famílias que já possuem propriedade."

Em edição anterior, a pesquisa mostrou que o percentual de compradores que adquirem imóvel pela primeira vez caiu de 48% no terceiro trimestre de 2013 para 20% no mesmo período um ano depois.

Apartamentos vazios na ChinaDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionO setor imobiliário oferece uma opção muito mais segura para os investidores chineses do que o volátil mercado de ações

Investidores chineses descobriram no setor imobiliário uma alternativa mais segura para aplicar seu dinheiro em vez do volátil mercado de ações do país.

E muitas famílias estão investindo em imóveis como uma forma de ajudar seus filhos - bens são um elemento importante, por exemplo, em discussões sobre casamento entre as famílias.

Nos últimos anos, os políticos chineses tentaram em vão conter essa tendência - o presidente Xi Jinping vem enfatizando que "as casas são para viver, não para especulação".

Em maio deste ano, legisladores apresentaram uma proposta para a criação de um imposto sobre imóveis como uma das principais prioridades para os próximos cinco anos, reativando um projeto que já enfrentou a oposição de proprietários, especialmente os ricos.

Apartamento de luxo em XangaiDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionGoverno chinês cogita criar imposto sobre imóveis

O governo lançou no ano passado um banco de dados nacional de propriedades como parte de um futuro processo de taxação.

O que quer que as autoridades decidam implementar, deve ser feito com muita cautela. Estima-se que cerca de um quinto do Produto Interno Bruto (PIB) da China esteja vinculado ao mercado imobiliário e há temores de uma possível crise.

Um levantamento da consultoria FT Confidential Research mostrou que mais de 20% dos consumidores urbanos que possuem pelo menos uma propriedade desocupada a venderiam caso o imposto entre em vigor.

A pressa para vender poderia fazer os preços caírem rápido demais e causar sérios problemas.

"Entre economistas do governo, estabelecer um imposto sobre propriedade é um consenso há muito, muito tempo", escreveu Ga Li em artigo publicado no ano passado.

"A preocupação é política. Ninguém quer ser culpado de estourar a bolha imobiliária."



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