13/02/2026 02:25:45

LatAm
10/02/2026 08:00:00

Venezuelanos sob tensão: líder da oposição recapturado horas após conquista da liberdade

Reação do governo chavista intensifica crise política enquanto figuras proeminentes buscam apoio internacional

Venezuelanos sob tensão: líder da oposição recapturado horas após conquista da liberdade

Nas primeiras horas após ser libertado, Juan Pablo Guanipa, figura de destaque na oposição venezuelana, foi novamente detido pelo regime de Maduro, gerando mais uma crise política no país.

O verdadeiro nome de Guanipa, conhecido na arena política como RamóGuanipa, foi capturado pouco depois de sua libertação anterior. Seu filho relatou, por volta da meia-noite, através das redes sociais do líder oposicionista, que um grupo de aproximadamente dez indivíduos armados interceptou e sequestrou Guanipa, sem identificação oficial, em uma emboscada que contou com veículos como um Corolla prata, um Range Rover branco e um Renault Symbol.

O episódio ocorreu logo após Guanipa ter passado mais de oito meses sob custódia, e a ação violenta foi considerada uma retaliação às suas atividades de oposição. No entanto, a manhã seguinte trouxe uma atualização do Ministério Público da Venezuela, informando que solicitou à justiça a revogação da medida cautelar que permitia sua liberdade, alegando que ele teria infringido condições impostas pelo tribunal.

A proposta da promotoria é que Guanipa seja colocado em regime de prisão domiciliar, por acreditar que essa medida protegeria a integridade do processo criminal contra ele.

Antes de ser capturado novamente, Guanipa, libertado neste domingo junto de aliados próximos de Maria Corina Machado, usou o momento de liberdade para promover uma manifestação pública, incluindo uma carreata de motocicletas em direção ao El Helicoide, a principal prisão de Caracas. Nas redes sociais, ele também compartilhou memes e manifestações de resistência. Apesar do certificado de soltura limitar a viagem de Guanipa, permitindo apenas sua presença periódica no tribunal, o governo alegou que ele violou as condições, aumentando a controvérsia.

Tal movimentação causou irritação no partido governista. O ministro do Interior, Diosdado Cabello, criticou a ação, afirmando que a prisão de Guanipa reduziu para 896 o número de presos políticos libertados, após uma tentativa de criar caos e desordem no país. Em sua coletiva de imprensa, Cabello acusou os opositores de agir de maneira irresponsável, desrespeitando as regras estabelecidas para a liberdade concedida anteriormente.

Horas antes, a integrante da Comissão Presidencial para a Convivência e a Paz, Indira Urbaneja, criticou a provocação e a violência, destacando que o diálogo deve ser prioridade na construção da democracia. Ela salientou que os meses de confinamento não ajudaram na pacificação política, e que atitudes de desrespeito às instituições não podem ser toleradas.

O partido Primeiro Venezuela responsabilizou figuras do governo, como Delcy Rodriguez, Jorge Rodriguez e Diosdado Cabello, por qualquer dano à integridade de Guanipa. Por sua parte, Maria Corina Machado também reagiu, descrevendo a ação dos agentes encapuzados como uma tentativa de impor o terror, exigindo a liberação imediata do líder oposicionista.

Em uma visita à sede da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), em Washington, Machado denunciou a nova prisão de Guanipa como mais um exemplo do autoritarismo do chavismo, e solicitou que o órgão internacional investigasse e documentasse abusos de direitos humanos cometidos pelo regime, incluindo prisões arbitrárias, execuções extrajudiciais e torturas. Segundo ela, há mais de 20 mil prisões ilegais, 8 mil execuções ilegais por grupos paramilitares e milhares de torturas na Venezuela, um padrão sistemático que persiste até hoje.

Machado afirmou que a visita da CIDH precisará de condições específicas, pois o objetivo não é apenas normalizar a situação, mas garantir que a verdade seja revelada e que o regime compreenda que toda a região exige responsabilização. O líder da oposição também declarou que o governo venezuelano está assustado, pois sabe que a força dos venezuelanos que retornam ao país é capaz de demandar a libertação de todos os presos políticos, defendendo a transparência e a justiça.

A reação da oposição ocorreu poucas horas após Ramon Guanipa anunciar a libertação de seu pai, comemorando sua liberdade após quase um ano e meio de detenção, incluindo cerca de nove meses de encarceiramento. Guanipa, ex-governador do Zulia, é um dos principais nomes do partido Primero Justicia e estreito aliado de Machado. Sua prisão aconteceu em 23 de maio de 2025, dois dias antes das eleições regionais e parlamentares, sob acusações de terrorismo, traição e conspiração.

Vários opositores de Machado conseguiram sair da prisão neste domingo, liderando caravanas de motocicletas e carros em Caracas, numa demonstração de resistência e de reivindicação pela liberdade de todos os presos políticos e do país. Esses atos ocorrem no mesmo período em que o governo interino liderado por Delcy Rodriguez avalia uma proposta de lei de anistia, que deve ser aprovada nos próximos dias.

Embora tenham sido libertados, muitos presos, incluindo Guanipa, permanecem sob medidas restritivas, como monitoramento eletrônico ou prisão domiciliar. Entre os libertos está Perkins Rocha, assessor jurídico do Comando Venezuela, equipe de apoio a Machado, além de Edmundo González Urrutia, todos sob vigilância rigorosa, de acordo com informações de sua esposa, María Constanza Cipriani. Machado mostrou uma foto de Rocha usando tornozeleira eletrônica em sua residência, reforçando a situação de restrição.

Na lista dos libertos do grupo de Machado, estão também Luis Tarbay, coordenador mundial de Vente Venezuela; Dignora Hernández, secretária de Política Nacional; Catalina Ramos, responsável por Associações Cidadãs; e Henry Alviarez, coordenador de Organização.

Durante sua visita à CIDH, Machado solicitou a esse órgão, que é independente e faz parte da OEA, que registre e monitore as violações de direitos humanos no país, incluindo visitas de representantes ao território venezuelano. Ela destacou que mais de 20 mil detenções arbitrárias, milhares de execuções ilegais e torturas continuam ocorrendo na Venezuela, configurando um padrão de opressão massiva que persiste até hoje.

Machado também enfatizou que a presença da CIDH deve seguir condições específicas, pois o objetivo não é apenas normalizar a situação, mas assegurar que a verdade seja exposta e que o regime compreenda que a responsabilidade não recai apenas sobre defensores dos direitos humanos, mas sobre toda a região e suas instituições, que demandam um processo de transição transparente.