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Crime
09/02/2026 20:00:00

Tragédia em Vicente Pires: sequência de violência que resultou na morte de jovem de 16 anos

Casos de agressão e investigações revelam uma série de episódios envolvendo Pedro Turra, culminando em uma fatalidade e debates sobre segurança e justiça

Tragédia em Vicente Pires: sequência de violência que resultou na morte de jovem de 16 anos

Na noite de 22 de janeiro, um incidente grave ocorreu em frente a um condomínio residencial na região de Vicente Pires, no Distrito Federal, após uma celebração social.

Segundo relatos, Pedro Turra teria lançado um chiclete na direção de Rodrigo Castanheira, provocando uma discussão que rapidamente evoluiu para confronto físico. A versão dos familiares de Rodrigo contesta a narrativa oficial, alegando que tudo pode ter sido uma armadilha premeditada.

Filmes feitos por amigos de Turra registraram o momento da luta, onde o agressor desferiu um golpe que atingiu a cabeça de Rodrigo, que foi empurrado com força contra a lataria de um veículo.

Em meio à confusão, o adolescente saiu mancando, enquanto os presentes clamavam por ajuda, com frases como "Turra, vai matá-lo".

Após o incidente, Rodrigo retornou para casa, mas precisou de atendimento médico de emergência. A família acionou o resgate, e o jovem chegou ao hospital vomitando sangue. No dia seguinte, ele foi transferido para a Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Brasília, onde foi entubado devido à gravidade de seus ferimentos.

Permaneceu em estado crítico até a manhã de 7 de fevereiro, quando veio a falecer.

No mesmo dia, Pedro Turra foi detido pela Polícia Civil do Distrito Federal, porém, em audiência de custódia no dia 24 de janeiro, conseguiu liberdade mediante pagamento de uma fiança correspondente a 15 salários mínimos, aproximadamente R$ 24.300,00.

Durante seu depoimento, Turra alegou não ter a intenção de ferir Rodrigo, que permanecia intubado na UTI. A tragédia teve grande repercussão na mídia e no esporte.

Em 26 de janeiro, a Federação de Futebol do Distrito Federal decidiu expulsar Pedro Turra de suas atividades. As imagens da briga, expostas publicamente, também deram origem a novas denúncias contra o adolescente.

Uma delas revelou que Turra estaria envolvido em uma tentativa de forçar uma adolescente a consumir vodka durante uma festa em Vicente Pires, em junho de 2025.

Além desses fatos, outros episódios envolvendo Turra ganharam destaque. Em julho do ano passado, ele foi filmado dando tapas em um homem de 49 anos após um acidente de trânsito em Águas Claras. As imagens mostram Turra humilhando e intimidando a vítima. Com uma ficha criminal extensa e uma forte comoção social, a Polícia Civil do DF solicitou a prisão preventiva de Pedro Turra, que foi cumprida em 30 de janeiro, em sua residência.

Ele foi encaminhado à 38ª Delegacia de Polícia de Vicente Pires, responsável por investigar o caso. Na ocasião, o delegado-chefe Pablo Aguiar chorou durante entrevista coletiva, expressando sua dor como se fosse a de um pai.

Turra permanece atualmente detido no Centro de Detenção Provisória da Papuda. Os pedidos de liberação, incluindo uma possível transferência para uma cela especial, foram negados. O velório de Rodrigo ocorreu no domingo, 8 de fevereiro, marcado por forte comoção.

Familiares de Goiânia (GO) e do Rio de Janeiro (RJ) estiveram presentes, além dos parentes do Distrito Federal.

O tio do jovem, Flávio Henrique Fleury, que é fisioterapeuta, manifestou esperança de que o caso não seja esquecido e pediu punições não apenas para Turra, mas também para um suposto mandante da agressão. Segundo Fleury, novas investigações indicam que um amigo de Turra teria convidado o adolescente a agredir Rodrigo por ciúmes, pois o jovem estaria se relacionando com uma ex-namorada de quem teria sido o mandante do crime.

"Aguardo ansiosamente que a Justiça identifique esse envolvido. Acredito que ela irá condenar, pois, sendo menor, espero que os responsáveis por sua conduta também sejam punidos", afirmou.

Rodrigo Castanheira nasceu em Goiânia, mas mudou-se para o Distrito Federal ainda criança. Ele estudava no Colégio Vitória Régia, treinava na Arena 61 e chegou a integrar a base do Ceilândia Esporte Clube, tradicional time local.

Amigos, familiares e figuras públicas prestaram homenagens ao jovem. O Clube de Futebol do Ceilândia, em nota, expressou solidariedade e condenou qualquer ato de violência, dizendo: "Neste momento de dor, nossas condolências à família, amigos e entes queridos, desejando força, paz e esperança para superar essa perda irreparável. Reafirmamos nosso repúdio à violência".

O governador Ibaneis Rocha (MDB) também demonstrou pesar, classificando o episódio como "profundamente chocante".

Ele afirmou sentir-se como pai ao imaginar a dor da família de Rodrigo, cuja vida foi abruptamente interrompida. Já a primeira-dama, Mayara Noronha Rocha, refletiu sobre a importância do respeito e do limite, dizendo:

"Faltou aprender que força não é violência, que respeito não se conquista com agressão e que nossas escolhas podem ter consequências permanentes. Que Deus conforte o coração da família e que essa tragédia sirva de lição sobre responsabilidade".