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Acidente
09/02/2026 10:00:00

El Niño pode resultar em maiores cobranças na bandeira tarifária

Expectativa de maior incidência de bandeiras tarifárias elevadas com o avanço do El Niño e suas consequências climáticas

El Niño pode resultar em maiores cobranças na bandeira tarifária

A atuação do El Niño neste segundo semestre de 2024, associada às emissões de gases que contribuem para o efeito estufa, pode elevar as cobranças adicionais na conta de energia ao longo do próximo ano. Atualmente, a tarifa de energia está na categoria verde para o mês de fevereiro, sem custos extras para os consumidores.

Este período costuma apresentar chuva regular, enchendo os reservatórios e fazendo com que a metodologia das bandeiras tarifárias indique que não há necessidade de valores adicionais, salvo risco hidrológico extremo ou preços de referência elevados na energia de curto prazo (PLD). Contudo, a situação deve mudar a partir de abril, quando o período de seca chega ao fim, aumentando a probabilidade de acionamentos de bandeira amarela ou até vermelha, devido ao déficit hídrico e custos mais altos de geração elétrica.

Especialistas indicam que, a partir de abril, a tarifa amarela, que adiciona R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos, pode ser acionada. Matheus Machado, analista de inteligência de mercado do Grupo Bolt, não descarta que essa mudança ocorra já em abril. Segundo ele, a avaliação mais clara acontecerá na segunda metade de fevereiro, após as próximas chuvas e com a atualização dos mapas de previsão para o mês seguinte. "Após fevereiro, é difícil que o cenário de armazenamento de água nas hidrelétricas se altere significativamente", comentou, ao citar a tendência de aumento nos preços de energia durante o período de seca.

Ele também reforça a previsão de um aumento na frequência de bandeiras vermelhas em 2026. A bandeira vermelha Patamar 1, que acrescenta R$ 4,463 por 100 kWh, e a Patamar 2, que adiciona R$ 7,877 por 100 kWh, deverão ser acionadas com maior regularidade. Machado enfatiza a incerteza sobre quantos meses de bandeira vermelha 2 ocorrerão e quando a primeira bandeira amarela poderá ser acionada.

De acordo com a análise da Ampere Consultoria, a expectativa é de que a tarifa permaneça na condição verde até abril, o que representa uma melhora em relação a previsões anteriores, graças à leve melhora nas previsões de chuva para os meses finais do período úmido. Guilherme Ramalho de Oliveira, sócio da consultoria, alerta, porém, que ainda há possibilidades de cobrança adicional, uma vez que cenários mais conservadores sugerem que a bandeira amarela possa ser necessária já em março.

Fred Menezes, diretor de Comercialização da Armor Energia, projeta a manutenção da bandeira amarela em maio, seguida por um aumento para vermelha a partir de junho. Segundo ele, o retorno ao nível verde só deve ocorrer em novembro ou dezembro. Menezes explica que a formação de um El Niño pode dificultar esse cenário de recuperação ao longo do período seco.

Vinícius David, especialista em Estudos de Mercado da Envol, estima que a bandeira amarela seja adotada a partir de maio, com possibilidade de bandeira vermelha, incluindo vermelha 2, até setembro. Ele reforça que, durante o período seco, as bandeiras podem permanecer em níveis elevados, com possibilidade de apenas novembro e dezembro apresentarem condições mais favoráveis.

Por fim, David destaca que, apesar de o El Niño não influenciar diretamente as chuvas nas áreas principais de captação de água do país, a elevação das temperaturas pode aumentar os custos de geração de energia, pressionando os preços para cima e contribuindo para o aumento das tarifas ao longo do próximo ano.