Embora a sociedade e os meios de comunicação ainda perpetuem a ideia de que a atividade sexual desaparece após a menopausa, dados recentes contradizem esse mito.
De acordo com uma pesquisa conduzida pelo Instituto Kinsey em colaboração com a revista Cosmopolitan, mais de 3 mil mulheres acima de 60 anos participaram do estudo, revelando que 74% delas afirmam experimentar orgasmos tão intensos ou superiores aos de épocas anteriores.
Mesmo diante de alguns obstáculos, como a diminuição da libido relatada por 57% das entrevistadas, a frequência de encontros sexuais aumentou.
Quase 70% das mulheres nessa faixa etária disseram manter relações mais de uma vez por mês, e 60% acreditam que a penetração não é imprescindível para que a experiência sexual seja prazerosa. Apesar das dificuldades que podem surgir com o envelhecimento, como o atingimento do orgasmo, 20% dessas mulheres relataram que suas satisfações aumentaram, e 57% afirmam atingir o clímax com seus parceiros com frequência ou quase sempre.
A fase da perimenopausa, que antecede a menopausa por um período de três a cinco anos, pode interferir na vida sexual devido a sintomas como insônia e secura vaginal, explica a endocrinologista Jamilly Drago, da clínica Metasense.
Ela destaca que o desconforto causado pela secura pode ser tratado com lubrificantes específicos e, em alguns casos, por meio de hormônios locais, que atuam diretamente na região afetada, sendo uma estratégia eficiente e direcionada. Embora avanços tenham sido feitos, ainda existem lacunas nos tratamentos disponíveis.
“Temos medicamentos para aliviar os fogachos, mas os remédios para o desejo sexual com diminuição são limitados”, afirma Drago.
Ela sugere que a testosterona pode ser considerada em mulheres na menopausa que apresentem queixas relacionadas, embora essa não seja uma solução universal, pois sua eficácia varia de pessoa para pessoa. Segundo ela, a sexualidade após a menopausa vem ganhando um novo protagonismo na vida das mulheres, sendo ressignificada e valorizada, especialmente quando discutida abertamente na consulta médica.
De acordo com Fernanda Torino, ginecologista na clínica Una Especialidades, problemas como a secura vaginal e a dor durante o ato sexual não devem ser minimizados ou encarados como normais, pois comprometem significativamente a qualidade de vida.
Ela reforça que existem diversas alternativas de tratamento, incluindo cremes hormonais, hidratantes vaginais e até procedimentos tecnológicos, como o uso do laser.
Essas intervenções têm como objetivo aumentar a lubrificação e a elasticidade, promovendo maior conforto e prazer na relação sexual. Para Torino, o autoconhecimento é peça-chave nesse processo de adaptação à nova fase da vida.
Ela recomenda estimular a intimidade com o parceiro, buscando soluções conjuntas para manter uma vida sexual plena e satisfatória, independentemente da idade.