Durante uma onda de frio intenso, chegando a quase -20°C, a Ucrânia está passando por interrupções generalizadas no fornecimento de energia devido a ataques coordenados contra sua rede elétrica.
Em resposta, o governo foi obrigado a declarar medidas emergenciais de corte de energia em todo o território, enquanto equipes se preparam para realizar reparos assim que a segurança permitir.
De acordo com informações de fontes locais, a ofensiva russa na noite de sexta-feira atingiu instalações de geração e distribuição de energia, além de linhas de transmissão essenciais à rede elétrica do país.
O ministro da Energia ucraniano, Denys Shmyhal, comunicou via Telegram que o ataque ainda está em curso, e que os danos têm causado falhas generalizadas no sistema.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, detalhou em sua conta na plataforma X que mais de 400 drones e aproximadamente 40 mísseis de diversos modelos foram empregados na ofensiva, com os principais alvos sendo usinas, subestações e a rede de distribuição de energia.
A Ukrenergo, empresa estatal de energia ucraniana, afirmou em nota no Facebook que as interrupções de energia são resultado de um ataque massivo e que os cortes emergenciais serão suspensos assim que o sistema energético alcançar estabilidade.
Antes do início dos reparos, Shmyhal lamentou os danos causados às duas principais usinas de energia — uma em Dobrotvir e outra em Burshtin, ambas localizadas na região oeste do país — bem como às linhas de transmissão que conectam diversas regiões às redes principais, incluindo áreas na fronteira com Polônia, Romênia e Belarus. Zelenski também confirmou prejuízos em várias regiões, incluindo Volônia, na fronteira com a Polônia; Ivano-Frankivsk, próximo à fronteira romena; Lviv e Rivne, ambos com fronteira com a Polônia e Belarus, respectivamente.
Apesar das tentativas de negociações para encerrar o conflito, os ataques contínuos à infraestrutura energética, ocorridos há meses, vêm agravando a crise, deixando centenas de milhares de cidadãos sem eletricidade ou aquecimento em temperaturas tão baixas. Segundo Zelenski, os Estados Unidos têm como meta que a guerra termine até junho, e planejam organizar negociações entre as partes na próxima semana, possivelmente em Miami.
Os EUA têm pressionado Moscou e Kiev para que cessem as hostilidades, tendo inclusive mediado encontros em Abu Dhabi, embora ainda não tenham conseguido um acordo sobre as questões territoriais pendentes.
A Rússia, que ocupa cerca de 20% do território ucraniano, insiste na manutenção do controle sobre a região de Donetsk, no leste do país, enquanto a Ucrânia rejeita qualquer acordo que não impeça uma futura invasão por parte de Moscou. Zelenski revelou que as negociações entre os representantes dos dois países poderiam ocorrer nos EUA, dentro de uma semana, com o objetivo de finalizar o conflito até o começo do verão no hemisfério norte.
Entretanto, o líder ucraniano reiterou sua insatisfação com a sensação de que Kiev tem sido pressionada a fazer concessões desproporcionais, especialmente no que diz respeito à sua soberania.
Ele também destacou que os dois lados ainda não chegaram a um entendimento comum sobre o controle da usina nuclear de Zaporijia, ocupada por tropas russas desde 2022, reforçando a complexidade das negociações e a persistência da crise.