Após uma análise detalhada, a equipe médica da Polícia Federal (PF) determinou que Jair Bolsonaro, ex-chefe do Executivo, não precisa ser transferido para uma penitenciária ou para sua residência, mesmo convivendo com diversas enfermidades crônicas. A avaliação foi apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta sexta-feira, dia 6. O documento, elaborado por especialistas do Instituto Nacional de Criminalística, foi solicitado pelo ministro Alexandre de Moraes, que requisitou uma perícia médica para verificar se o estado de saúde do ex-presidente é compatível com o ambiente carcerário. O laudo aponta que Bolsonaro apresenta um quadro de múltiplas doenças, conhecido como “multimorbidade”. Essa condição inclui várias enfermidades que elevam o risco de óbito súbito e complicações severas. As conclusões do documento influenciarão futuras decisões relacionadas à sua situação legal.
O relatório destaca que Bolsonaro possui diversas condições de saúde, como hipertensão arterial, obesidade, apneia do sono, aterosclerose sistêmica e refluxo gastroesofágico. Todavia, todas elas estão atualmente sob controle clínico graças ao tratamento regular, eliminando, por ora, a necessidade de internação hospitalar.
Além disso, os especialistas alertaram para sinais neurológicos que aumentam a probabilidade de quedas. Como medida preventiva, sugeriram melhorias na cela do ex-presidente, incluindo instalação de barras de apoio, dispositivos de emergência e maior supervisão, a fim de minimizar possíveis complicações.
O documento também eliminou diagnósticos anteriores, como pneumonia bacteriana, anemia ferropriva, depressão e sarcopenia, uma vez que não há evidências clínicas que sustentem esses quadros nos exames recentes.
Quanto às próximas etapas, o ministro Moraes decidiu tornar pública a análise, removendo o sigilo do arquivo, e estabeleceu um prazo para que a defesa de Bolsonaro e a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentem manifestações sobre as conclusões dos peritos. Bolsonaro atualmente cumpre uma pena de 27 anos e 3 meses de reclusão na penitenciária conhecida como “Papudinha”, localizada em Brasília. Ele foi condenado por envolvimento em tentativa de golpe de Estado. Sua defesa havia solicitado a revisão do laudo para fundamentar um pedido de prisão domiciliar por razões de saúde, pedido que será avaliado à luz do relatório da PF.