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06/02/2026 22:00:00

Descoberta de Compostos Orgânicos em Marte Levanta Questionamentos Sobre Origem de Vida

Estudo do laboratório a bordo do Robô Curiosity aponta para possibilidades além de processos não biológicos na formação dessas moléculas

Descoberta de Compostos Orgânicos em Marte Levanta Questionamentos Sobre Origem de Vida

Em uma análise realizada em março de 2025, pesquisadores detectaram pequenas quantidades de decano, undecano e dodecano em uma amostra de rocha coletada pelo equipamento químico do robô Curiosity, enviado pela NASA.

Esses compostos representam as maiores concentrações de matéria orgânica já identificadas na superfície marciana. De acordo com os cientistas, as moléculas podem ser fragmentos de ácidos graxos preservados em uma antiga formação sedimentar situada na Cratera Gale.

Na Terra, esses ácidos são predominantemente produzidos por seres vivos, embora também possam surgir por processos geológicos não relacionados à vida.

Entretanto, os dados obtidos pelo Curiosity não permitem determinar se tais moléculas tiveram origem biológica ou não. Para aprofundar essa questão, uma pesquisa adicional avaliou possíveis fontes não biológicas, como a introdução de compostos orgânicos por meteoritos que atingem o planeta, tentando entender se esses processos poderiam explicar a quantidade de material orgânico detectada.

Na publicação de 4 de fevereiro na revista Científica Astrobiology, os autores afirmam que as fontes não biológicas analisadas não conseguem explicar completamente a abundância de compostos orgânicos observada em Marte. Diante dessa evidência, os pesquisadores consideram plausível a hipótese de que seres vivos tenham contribuído na formação dessas moléculas ao longo do passado marciano.

Para fundamentar essa conclusão, a equipe combinou experimentos laboratoriais envolvendo radiação, simulações matemáticas e dados do próprio robô Curiosity, empregando uma técnica de 'recriação do passado' há aproximadamente 80 milhões de anos, período em que a rocha ficou exposta na superfície.

A partir dessa reconstrução, os cientistas estimaram a quantidade de matéria orgânica presente antes de sua possível degradação pela radiação cósmica contínua. Os resultados indicam uma quantidade muito superior àquela que seria gerada por processos não biológicos conhecidos, reforçando a hipótese de uma possível origem biológica ou influência de organismos antigos.