A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) concedeu à Petrobras autorização para reiniciar as atividades de perfuração em um poço localizado na Bacia da Foz do Amazonas. A operação havia sido suspensa no início do ano após a ocorrência de um vazamento de fluido de perfuração. A confirmação veio através da agência Reuters e posteriormente foi confirmada pelo portal iG em contato com a própria ANP nesta quarta-feira (4).
De acordo com a agência reguladora, após análises técnicas detalhadas e a implementação de medidas corretivas sugeridas pela Petrobras, concluiu-se que não há obstáculos que impeçam a retomada dos trabalhos no referido poço, desde que o procedimento seja iniciado após o recebimento do aviso formal.
Um comunicado oficial da ANP enviado à reportagem explicou que a reativação do perfuração no poço Morpho, que será executada pela sonda ODN II (NS-42), está condicionada ao cumprimento rigoroso de uma série de requisitos. Estes incluem a substituição de todos os selos das juntas do riser, com a apresentação de provas dessa troca, além da análise de adequação da instalação em até cinco dias após a instalação da última junta.
O riser, componente de tubulação suspensa que conecta as operações de fundo do mar às plataformas ou navios na superfície, também está sujeito a inspeções e atualizações. Antes de retomar as atividades, a Petrobras deverá demonstrar treinamento adequado para todos os funcionários envolvidos na operação revisada do procedimento de descida do BOP. Além disso, é necessário revisar e reforçar o Plano de Manutenção Preventiva, incluindo a redução do intervalo de coleta de dados dos sensores de vibração subsea nos primeiros dois meses.
Outro requisito importante é a utilização de juntas de riser reserva, que só poderão ser empregadas após a apresentação de certificados de conformidade, que comprovem inspeções ou reparos realizados conforme as normas aplicáveis. A ANP também realiza uma auditoria no sistema de gestão de segurança operacional da sonda desde segunda-feira (2).
Apesar de tentativas de contato com a Petrobras para obter esclarecimentos sobre a autorização e as condições impostas, a empresa ainda não respondeu até o momento. O espaço para comentários permanece aberto.
O início da perfuração na Foz do Amazonas foi interrompido em janeiro após a detecção de uma perda de fluido, conhecido como lama, em tubulações auxiliares que conectam o navio-sonda ao poço Morpho. Este fluido, à base de água e com aditivos de baixa toxicidade, é comum em operações marítimas de perfuração, conforme declarações da Petrobras. A perfuração ocorria a aproximadamente 175 km da costa do Amapá e foi interrompida assim que o vazamento foi identificado. A companhia afirmou que o problema foi contido, isolado e que as tubulações receberam inspeções e reparos.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) confirmou na época que não houve vazamento de petróleo. Em outubro do ano passado, a Petrobras recebeu autorização do Ibama para perfurar um poço em águas profundas na região da Foz do Amazonas, que fica na Margem Equatorial, uma extensão que vai do Amapá ao Rio Grande do Norte. Essa licença se limita à pesquisa exploratória, sem previsão de produção de petróleo. Enquanto ambientalistas criticam a atividade, especialistas na área de petróleo destacam sua relevância para a produção energética nacional.