O líder máximo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, declarou neste domingo (data) que uma intervenção militar dos Estados Unidos no país poderia desencadear um conflito de âmbito regional na região do Oriente Médio.
Sua declaração chega em meio à intensificação da mobilização militar dos EUA no Golfo Pérsico, onde uma frota de aproximadamente 12 navios de guerra, incluindo o porta-aviões USS Abraham Lincoln, foi avistada na área.
De acordo com a agência estatal Tasnim, Khamenei fez críticas direcionadas ao presidente Donald Trump, que condicionou uma possível ação militar à assinatura de um novo acordo nuclear. “Os americanos precisam compreender que, caso decidam iniciar uma guerra, essa será de proporções regionais”, afirmou o líder iraniano, que tem 86 anos.
Ele reforçou que o Irã não deve se deixar intimidar por ameaças ou demonstrações de força militar. “[Trump] constantemente afirma que enviou navios...
A nação iraniana não deve se assustar nem se deixar perturbar por essas ameaças”, completou. A manifestação de Khamenei é mais um episódio na crescente escalada de tensões entre Teerã e Washington, que se agravou após protestos internos no Irã e ameaças feitas por Trump ao regime iraniano.
No sábado, o presidente dos Estados Unidos evitou esclarecer se já tomou uma decisão definitiva sobre uma intervenção militar, mas reiterou a preferência por negociações para alcançar um acordo que impeça o desenvolvimento de armas nucleares no país. Na mesma data, Amir Hatami, comandante do Exército iraniano, afirmou que as Forças Armadas estão em nível máximo de prontidão e totalmente preparadas para retaliar qualquer ataque dos EUA ou de Israel.
Segundo ele, a capacidade nuclear do Irã é “irrecuperável”. Além disso, neste domingo (1º), Teerã anunciou a realização de um exercício militar com uso de munição real no Estreito de Ormuz, uma área de importância estratégica onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente. O Comando Central das Forças Armadas dos EUA (Centcom) advertiu Teerã contra qualquer ameaça a embarcações ou aeronaves durante a operação. Apesar do clima tenso, representantes iranianos afirmam que uma resolução diplomática ainda é possível, desde que as negociações não restrinjam as capacidades defensivas do país.
No sábado, uma autoridade de alta hierarquia na segurança iraniana sinalizou avanços nas conversas com os Estados Unidos. A crise atual é considerada uma das mais severas desde o conflito de 12 dias entre Irã e Israel no ano passado, que terminou após ataques inéditos dos EUA a instalações nucleares iranianas.
Teerã declarou que, em caso de uma ofensiva, responderá com ataques a bases americanas na região, bem como a aliados de Washington, especialmente Israel.