Durante anos, acreditou-se que completar oito horas de descanso por noite fosse a meta ideal para uma boa saúde, porém essa concepção pode criar expectativas irreais e até prejudiciais. Segundo o especialista Hugh Selsick, essa ideia de sono de oito horas é um mito, considerado bastante destrutivo.
Na verdade, pesquisas indicam que a quantidade de sono adequada varia individualmente, influenciada por fatores genéticos, e não há um número universal. Selsick, que lidera a clínica do sono no hospital do University College London, compara essa variação ao tamanho dos sapatos: enquanto a média pode ser 37, algumas pessoas usam 35 ou 40, e o mesmo vale para o tempo de descanso necessário.
Para quem deseja dormir mais rápido, o psiquiatra recomenda três estratégias simples. Primeiro, manter um horário fixo para acordar diariamente ajuda a regular o ciclo do sono, aumentando a probabilidade de adormecer na mesma hora.
Segundo, evitar cochilos durante o dia é importante, pois eles podem diminuir a necessidade de sono à noite. Por último, é essencial ir para a cama somente quando o corpo realmente sinalizar cansaço, evitando deitar-se indiscriminadamente.
Quando perceber sinais de sonolência, como os olhos pesados e dificuldades de concentração, é hora de se recolher. Selsick aconselha que as pessoas criem uma rotina noturna tranquila, incluindo desligar eletrônicos, ler algo relaxante e estabelecer um horário constante para dormir. Enquanto isso, técnicas de relaxamento também podem ajudar, como relaxar a testa, o couro cabeludo, a mandíbula e o rosto, além de respirar profundamente e pensar em imagens calmas, como um lago sereno ou uma manhã de primavera. Repetir frases que eliminam pensamentos também é uma estratégia recomendada.
O método para dormir dos militares, popularizado na internet, foi criado por Lloyd "Bud" Winter, treinador de atletismo nos Estados Unidos, em 1981. O procedimento foi desenvolvido para ajudar aviadores durante a Segunda Guerra Mundial a dormirem profundamente mesmo sob condições de alta pressão, treinando-os por seis semanas para atingir o objetivo de adormecer em apenas dois minutos, a qualquer hora ou lugar.
Contudo, especialistas alertam que essa expectativa de sono instantâneo pode ser prejudicial. Allen Brager, neurocientista militar, explica que a maioria das pessoas leva de cinco a vinte minutos para dormir, e tentar reduzir esse tempo drasticamente pode gerar frustração e piorar a qualidade do descanso.
Em alguns casos, uma rápida sonolência pode indicar problemas mais sérios, como distúrbios do sono ou privação crônica. Soldados treinados para ambientes extremos podem, de fato, adquirir a habilidade de dormir em segundos, mas isso se deve à necessidade de adaptação ao cansaço extremo, não a um método exclusivo.
Técnicas de respiração e relaxamento continuam sendo úteis, assim como o uso de máscaras, tampões auditivos e ambientes controlados. Para civis, especialmente aqueles que sofrem com insônia, o método militar muitas vezes não apresenta resultados eficazes, conforme relata o psiquiatra Hugh Selsick. Para ele, a expectativa de dormir rapidamente pode gerar ansiedade e impedir que o sono ocorra naturalmente.
Em vez disso, a recomendação é criar uma rotina de sono disciplinada, que sinalize ao cérebro que é hora de descansar. Estabelecer horários constantes para dormir, evitar estímulos antes de deitar e somente ir para a cama quando realmente estiver cansado são estratégias que promovem um sono de melhor qualidade.
Selsick reforça que o importante é que a pessoa se sinta descansada e alerta durante o dia, o que indica um sono suficiente e restaurador. Por fim, o conceito de que o sono ideal dura oito horas foi desmistificado. Cada indivíduo possui suas próprias necessidades, e o importante é que o sono seja suficiente para que o corpo e a mente funcionem bem.
Técnicas de disciplina, rotina e ambiente propício podem ser mais eficazes do que métodos rápidos e muitas vezes irrealistas.