Em um conjunto de documentos liberados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos na última sexta-feira, 30 de janeiro de 2026, surgem registros de comunicações entre Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais e falecido em 2019, e o renomado linguista e filósofo norte-americano Noam Chomsky.
Entre as mensagens reveladas, há uma troca de e-mails na qual Chomsky afirma estar no Brasil com sua esposa, envolvido com atividades relacionadas ao movimento Lula Livre, que buscava a libertação do ex-presidente brasileiro.
As mensagens indicam que o cientista mantinha longas conversas com Epstein, chegando a receber convites do financista para se hospedar em suas residências.
Essas correspondências, parte de uma série de arquivos recentes, também relataram uma ligação entre Epstein e figuras políticas americanas, incluindo uma menção ao ex-presidente Jair Bolsonaro em uma conversa com Steve Bannon, ex-conselheiro de Donald Trump. Um e-mail atribuído a Epstein revela que, na ocasião, Chomsky também participava de atividades no Brasil relacionadas ao movimento Lula Livre. Segundo o documento, o linguista comentou:
"No Brasil, muito envolvido nas ações do 'Lula Livre' (Valeria e eu o visitamos na prisão ontem) e outros compromissos." Valeria é a esposa do acadêmico. Chomsky visitou Lula na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, onde o ex-presidente cumpria uma sentença de 580 dias de prisão, o que o impediu de disputar as eleições presidenciais de 2018.
Posteriormente, em 2021, suas condenações na operação Lava Jato foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal, sob a justificativa de que Lula não teve seus direitos processuais garantidos durante as investigações conduzidas pelo então juiz Sergio Moro. A relação entre Lula, Chomsky e Epstein não é novidade nos arquivos vazados.
Em um documento de novembro de 2018, Epstein cita uma suposta ligação telefônica com Chomsky e Lula, ainda na prisão, afirmando: "Chomsky me ligou com Lula. Da prisão. Que mundo." Na mesma documentação, Valeria Chomsky negou quaisquer indícios de que seu marido tivesse intermediado contato entre Epstein e o ex-presidente.
Ela declarou à CNN Brasil que as alegações eram infundadas, ressaltando que a visita foi realizada após revista policial e com restrições ao uso de dispositivos eletrônicos. O Palácio do Planalto também emitiu nota oficial, negando qualquer conexão entre Epstein, Lula e Chomsky.
Em outro trecho dos documentos, de dezembro de 2018, o próprio Chomsky descreve Lula como "o prisioneiro político mais importante do mundo" em uma mensagem enviada a Epstein, na qual expressa que Lula foi preso antes de uma eleição na qual provavelmente venceria, em meio ao que chama de "golpe de direita" que teria ocorrido nos anos anteriores.
Chomsky critica as condições de confinamento de Lula, descrevendo-o como isolado, com acesso limitado a materiais impressos, monitorado por uma TV do governo e impedido de fazer declarações públicas, acrescentando que, com o atual governo, suas chances de adoecer misteriosamente aumentam. Os e-mails também evidenciam uma conversa longamente centrada nos efeitos do isolamento social e na necessidade de interação humana. Numa troca de mensagens,
Chomsky aconselha Epstein a não publicar um artigo no jornal Washington Post, no qual tentaria defender um acordo penal feito em 2008, após investigações contra Epstein, alertando que a reação seria de que 'onde há fumaça, há fogo'.
Epstein, que conseguiu evitar acusações federais de tráfico sexual na época, aceitando 13 meses de prisão, voltou a ser preso em 2019. Seu caso foi retomado, e ele foi encontrado morto na cela em agosto do mesmo ano, despertando inúmeras controvérsias e teorias conspiratórias. As comunicações mostram uma discussão extensa sobre os impactos do isolamento e a necessidade de interação social, evidenciando também o interesse de Chomsky em questões políticas e jurídicas envolvendo Lula e Epstein.
No contexto, os documentos reforçam a complexidade das relações entre figuras públicas e controversas, revelando detalhes inéditos sobre o envolvimento de intelectuais com temas sensíveis e de alta relevância política.