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Acidente
01/02/2026 00:00:00

Mina desaba na RD Congo e Resulta na Morte de Mais de 200 Pessoas em Meio a Condições Precárias

Desastre ocorreu na região de Rubaya, responsável por uma significativa parcela da produção mundial de tântalo, destacado por suas operações insalubres e trabalhos infantis

Mina desaba na RD Congo e Resulta na Morte de Mais de 200 Pessoas em Meio a Condições Precárias

Na República Democrática do Congo, um deslizamento de terra em uma rede de minas de coltan causou a morte de, pelo menos, 200 indivíduos, incluindo mulheres e crianças, conforme informações divulgadas neste sábado (31/01) por líderes locais de áreas sob domínio de grupos rebeldes.

O coltan, mineral do qual se extrai o tântalo, é fundamental na fabricação de componentes eletrônicos como smartphones, notebooks, baterias para veículos elétricos, além de aplicações na indústria aeroespacial e de foguetes.

A busca por esse recurso tem alimentado conflitos violentos na região, onde a mineração é realizada em condições altamente perigosas e frequentemente com o uso de trabalho infantil. O incidente aconteceu na última quinta-feira na mina de Rubaya, controlada pelo grupo armado M23, e foi desencadeado pelas intensas chuvas.

Essas minas representam mais de 15% da produção mundial de tântalo. A estimativa inicial indica que o número de vítimas fatais deve aumentar, pois informações de que várias pessoas ainda podem estar debaixo do lamaçal estão sendo confirmadas. Segundo o presidente da organização civil de Masisi, Telesphore Nitendike, "os moradores locais tentam resgatar seus entes queridos por conta própria, uma vez que a assistência oficial ainda não chegou".

Enquanto isso, o governo de Kivu do Norte, que está sob controle rebelde, declarou a suspensão temporária das atividades nas minas e iniciou a realocação de famílias que residiam em barracos ao redor da área.

Um ex-trabalhador das minas revelou à Associated Press que deslizamentos frequentes são comuns devido à construção manual dos túneis, cuja estrutura é extremamente precária e sem manutenção adequada. "As pessoas escavam em qualquer espaço disponível, sem seguir protocolos de segurança. Um único buraco pode ter até 500 mineiros, e como os túneis correm paralelamente, um colapso pode afetar várias escavações simultaneamente", explicou Clovis Mafare.

Rubaya, situada numa região rica em minerais, há décadas é palco de conflitos intensos entre forças governamentais e grupos armados, incluindo o M23, que recebe apoio de Ruanda. A retomada do M23 na área, prevista para maio de 2024, agravou ainda mais a crise humanitária vigente. Um relatório da ONU aponta que os rebeldes cobram taxas sobre o minério vendido e transportado de Rubaya, arrecadando cerca de 800 mil dólares por mês.

Em 2023, a RD Congo respondeu por aproximadamente 40% da produção global de coltan, tornando-se uma das maiores fornecedoras mundiais do mineral. No entanto, a região leste do país permanece mergulhada em uma das mais severas crises humanitárias do planeta, com mais de 7 milhões de deslocados e 300 mil pessoas forçadas a abandonar suas casas em dezembro passado.

Apesar de acordos assinados com a mediação dos Estados Unidos, que visam facilitar o acesso de Washington a minerais essenciais, os confrontos continuam a ocorrer, causando mortes de civis e militares. As operações de extração continuam sob condições que expõem os trabalhadores a riscos extremos, incluindo trabalho infantil e ambientes insalubres.