Com o anúncio de Gleisi Hoffmann, que confirmou sua pré-candidatura ao Senado, cresce a expectativa de que pelo menos duas dezenas de ministros e secretários do governo Lula possam deixar seus cargos até o período eleitoral de 2024.
Essa movimentação faz parte de uma estratégia comum, prevista na legislação, que exige que os ocupantes de cargos-chave se desincompatibilizem até seis meses antes do pleito.
A ministra Gleisi, atualmente licenciada do cargo de deputada federal, revelou sua intenção de disputar uma vaga no Senado pelo estado do Paraná. Sua saída do ministério envolveu intensas negociações internas, dado seu papel central na relação entre o Congresso e o Palácio do Planalto.
Ao mesmo tempo, a equipe do presidente tenta fortalecer o grupo de aliados na disputa pelo Senado Federal, na tentativa de conter a influência crescente de lideranças bolsonaristas, que buscam ampliar sua presença na Casa Alta, fortalecendo suas posições em processos de impeachment e na indicação de ministros ao Supremo Tribunal Federal.
Entre os nomes que também visam uma cadeira no Senado estão os ministros Silvio Costa Filho, responsável por Portos e Aeroportos, e André Fufuca, dos Esportes. Além disso, vários integrantes do primeiro escalão do Executivo estão planejando concorrer à Câmara dos Deputados ou ao Governo Estadual. Ministros da Esplanada, como Anielle Franco, do Ministério da Igualdade Racial, e Sônia Guajajara, dos Povos Indígenas, já manifestaram a intenção de buscar reeleição na Câmara, enquanto o ex-governador de Alagoas e atual ministro dos Transportes, Renan Filho, é considerado favorito a um novo mandato no Executivo estadual.
Apesar de pressões internas, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou que não se candidataria ao governo de São Paulo em 2026. Lula tentou convencer Haddad a aceitar esse desafio, mas, diante de sua resistência, a estratégia do governo inclui a possibilidade de lançar Simone Tebet na corrida pelo estado.
Outros nomes que permanecem no governo, como Guilherme Boulos, na Secretaria-Geral da Presidência, e Luiz Marinho, do Trabalho, sinalizaram que irão permanecer em seus cargos durante o ano eleitoral. A lista de ministros com potencial de candidatura inclui nomes como Alexandre Silveira (Minas e Energia), André de Paula (Pesca e Aquicultura), Anielle Franco (Igualdade Racial), Marina Silva (Meio Ambiente), e outros.
As indicações visam fortalecer a presença do partido em diferentes frentes eleitorais, enquanto o governo busca manter sua base de apoio e contrabalançar adversários no cenário político de 2024.