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Mundo
20/01/2026 02:00:00

Guatemala declara emergência militar após motim em unidades prisionais

Medida autoriza prisões arbitrárias e suspende direitos civis para conter rebeliões de gangues criminosas

Guatemala declara emergência militar após motim em unidades prisionais

O governo guatemalteco declarou estado de emergência neste domingo (18/01), após uma série de revoltas lideradas por organizações criminosas em três unidades penitenciárias do país.

A ação resultou na morte de oito agentes de segurança e na detenção de dezenas de presos envolvidos no conflito. A decisão de Bernardo Arévalo, presidente do país, autoriza a suspensão temporária de garantias constitucionais essenciais, como as de reunião e manifestação, além de proporcionar a polícia amplos poderes para realizar prisões e interrogatórios sem necessidade de mandado judicial.

Essas medidas visam combater as atividades das gangues Barrio 18 e Mara Salvatrucha (MS-13), que têm sido qualificadas como terroristas tanto pelos Estados Unidos quanto pelo governo da Guatemala, devido a acusações de homicídios, extorsões e tráfico de drogas. Em uma transmissão nacional, Arévalo explicou que a ação de emergência deve durar 30 dias, buscando garantir a integridade e segurança da população.

O ministro do Interior, Marco Antonio Villeda, informou que outros dez policiais ficaram feridos na operação, um integrante de gangue foi morto e diversos suspeitos foram presos. O decreto, que ainda necessita de aprovação do Congresso, controlado por partidos de oposição, também cancela o direito de se reunir publicamente e impede manifestações, além de facilitar detenções sem ordem judicial.

A polícia conseguiu retomar o controle de três presídios onde membros de organizações criminosas mantinham 46 pessoas como reféns desde o último sábado. Os detentos exigiam que seus líderes fossem transferidos para penitenciárias com menos rígidas medidas de segurança.

De acordo com Arévalo, as forças policiais restabeleceram o domínio completo sobre essas unidades prisionais. Neste domingo, a equipe conseguiu recuperar o controle da penitenciária de segurança máxima Renovación 1, localizada em Escuintla, a aproximadamente 75 km ao sul da capital, e libertou nove guardas que estavam sob retenção.

Durante a operação, agentes chegaram ao local com tanques de guerra e lançaram gás lacrimogêneo. Após cerca de 15 minutos, as forças de segurança conseguiram dominar o ambiente e liberar os reféns.

O Ministério do Interior divulgou um vídeo na plataforma X, exibindo policiais algemando o suposto líder da gangue Barrio 18, identificado como Aldo Dupie, conhecido como "El lobo", com manchas de sangue visíveis.

Além disso, 28 reféns foram libertados de duas prisões distintas, uma na Fraijanes 2 e outra na área leste da capital. Arévalo afirmou que os criminosos estavam desesperados, buscando semear o caos e o terror para pressionar o Estado a atender suas exigências por privilégios especiais.

Ao mesmo tempo, a embaixada dos Estados Unidos na Guatemala orientou seus funcionários a se protegerem e evitarem aglomerações, enquanto o governo anunciou o fechamento das escolas para a segunda-feira.

O ministro da Defesa, general Henry Sáenz, garantiu que as forças armadas permanecerão nas ruas, atuando contra o crime organizado. Sáenz destacou que o Estado usará todos os recursos disponíveis para restabelecer a tranquilidade na nação, incluindo o monopólio do uso da força.

O comandante da polícia, David Custodio, reforçou que os agentes devem atuar com respeito aos direitos humanos, mas também estão autorizados a usar armas de fogo se necessário para proteger vidas.

Em outubro passado, as autoridades guatemaltecas informaram que 20 líderes da mesma gangue haviam escapado de uma prisão, com apenas seis sendo recapturados até então, enquanto um deles foi morto em confronto.

A taxa de homicídios na Guatemala para o ano de 2025 atingiu 16,1 por 100 mil habitantes, mais do que o dobro da média mundial, evidenciando o alto nível de violência no país.