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Mundo
02/01/2026 02:00:00

UE avalia possíveis medidas de retaliação econômica diante de tensões com os EUA por causa da Groenlândia

Países membros do bloco debatem ações retaliatórias após declarações do presidente norte-americano relacionadas a tarifas e operações militares

UE avalia possíveis medidas de retaliação econômica diante de tensões com os EUA por causa da Groenlândia

Na semana passada, representantes de todos os 27 integrantes da União Europeia reuniram-se para planejar respostas às provocações do governo dos Estados Unidos, incluindo a possibilidade de aplicar tarifas próximas a €93 bilhões (US$ 108 bilhões) em produtos de origem americana, caso Donald Trump siga adiante com sua ameaça de impor uma tarifa de 10% aos países do bloco a partir de 1º de fevereiro. Como uma das primeiras ações concretas, a UE decidiu suspender a ratificação de um acordo comercial assinado em julho, que ainda aguarda aprovação do Parlamento Europeu, na tentativa de pressionar Washington. Fontes próximas às negociações indicam que a União também pensa em outras formas de retaliação além das tarifas econômicas, embora priorize inicialmente buscar uma resolução diplomática. Na mesma semana, os representantes dos Estados-membros iniciaram o desenvolvimento de estratégias em uma reunião preparatória. Além disso, uma sessão emergencial será realizada em Bruxelas nesta semana, com o objetivo de deliberar sobre possíveis respostas às ameaças de Trump. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, manifestou seu apoio unânime às nações da Dinamarca e da Groenlândia por meio de suas redes sociais, destacando que os países estão prontos para se defenderem de qualquer coerção. A escalada do conflito ocorreu após o anuncio feito por Trump, no sábado (17), de tarifas de 10% sobre produtos de oito países europeus, com início previsto para 1º de fevereiro, e eventual aumento para 25% em junho, caso não haja acordo sobre a compra da Groenlândia. A reação veio após manobras militares simbólicas realizadas pelos países europeus na Dinamarca, uma região semi-autônoma, como demonstração de força diante do aumento das tensões. Líderes de diversos países da Europa condenaram fortemente as declarações do líder norte-americano. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que as declarações de Trump eram “completamente infundadas”, enquanto Ulf Kristersson, da Suécia, declarou que seu país não aceitará “chantagem”. Emmanuel Macron, presidente da França, classificou a ameaça como “inaceitável” e anunciou que solicitará à UE que ative seu principal mecanismo de retaliação comercial, conhecido como instrumento de coerção. Como resposta imediata, a União Europeia decidiu suspender a ratificação do acordo comercial de julho com os EUA, uma medida que ainda depende da aprovação do Parlamento Europeu. O maior grupo político do legislativo, o Partido Popular Europeu, declarou que se unirá a outros partidos para impedir a aprovação do tratado. Stefan Lofven, líder do Partido Socialista Europeu, afirmou no domingo que “o presidente Trump desencadeou uma cadeia de eventos que ameaça destruir décadas de cooperação transatlântica”. O partido, que possui o segundo maior agrupamento parlamentar em Bruxelas, apoiou a suspensão do acordo e pediu que a UE considere o uso de seu instrumento de retaliação.