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Crime
19/01/2026 22:00:00

Investigações revelam envolvimento de técnicos de enfermagem em série de mortes suspeitas no DF

Operação da Polícia Civil aponta aplicação de substâncias químicas ilegais para provocar óbitos em pacientes do Hospital Anchieta

Investigações revelam envolvimento de técnicos de enfermagem em série de mortes suspeitas no DF

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) prendeu três profissionais de enfermagem sob acusação de assassinato múltiplo de pacientes no Hospital Anchieta, localizado em Taguatinga, durante os meses de novembro e dezembro de 2025. Em comunicado oficial, a instituição hospitalar confirmou que acionou as autoridades após detectar o ocorrido, detalhando sua postura na íntegra na nota abaixo.

Os episódios, divulgados nesta segunda-feira (19/1), estão sendo investigados como homicídios e são o foco da Operação Anúbis, uma ação policial cujo nome faz referência ao deus egípcio da morte. A operação é conduzida pela equipe de Repressão a Homicídios e Proteção à Pessoa (CHPP). Os nomes dos suspeitos ainda permanecem sob sigilo, conforme informado pela polícia.

As autoridades concentram as investigações na conduta de técnicos de enfermagem e outros cúmplices, suspeitos de administrar drogas químicas de forma fraudulenta diretamente na circulação sanguínea das vítimas. Quando aplicadas incorretamente, essas substâncias podem induzir parada cardíaca, e fontes indicam que o método utilizado pelos suspeitos deixava rastros invisíveis, dificultando sua identificação.

A primeira fase da operação ocorreu na manhã de 11 de janeiro, com o suporte do Departamento de Polícia Especializada (DPE). Dois indivíduos foram detidos temporariamente por determinação judicial, além de serem realizadas buscas e apreensões em residências nas cidades de Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas, regiões próximas ao DF. Durante a ação, agentes recolheram materiais que estão sendo analisados para aprofundar as apurações, buscando compreender detalhes do modus operandi, o papel de cada envolvido e se há participação de terceiros.

Segundo as apurações sob sigilo, o grupo agia de forma coordenada durante o expediente hospitalar. Uma das principais ações envolvia um jovem de 24 anos, que utilizava o sistema eletrônico hospitalar, criminosamente, com nome de um médico, para prescrever medicamentos incompatíveis com o quadro clínico das vítimas. Posteriormente, ele retirava os remédios na farmácia da unidade e os administrava sem autorização, colocando em risco a vida dos pacientes.

As vítimas eram uma professora aposentada de 67 anos, um servidor público de 63 anos e um jovem de 33 anos, todos internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Além do uso irregular de medicamentos, a polícia apurou que, em uma ocasião, o técnico chegou a injetar desinfetante — por pelo menos dez vezes — em um dos pacientes. A substância, que não possui indicação para uso intravenoso, poderia causar danos severos e imediatos.

Imagens obtidas de câmeras de segurança instaladas na UTI mostram os suspeitos movimentando-se dentro da unidade por volta dos horários em que ocorreram as ações ilegais. Inicialmente, os três ex-funcionários negaram envolvimento, mas, após confrontados com as gravações e demais evidências, confessaram sua participação. O homem de 24 anos foi apontado como o principal responsável pelos medicamentos, enquanto duas mulheres, de 22 e 28 anos, auxiliavam em pelo menos dois episódios, facilitando o acesso aos pacientes ou fornecendo suporte logístico.

Numa nova etapa da investigação, ocorrida na quinta-feira (15), a Polícia Civil realizou a segunda fase da Operação Anúbis, cumprindo um mandado de prisão temporária contra uma investigada e realizando apreensões de dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia, localidades próximas ao Distrito Federal. Os equipamentos recolhidos visam aprofundar as análises, principalmente na investigação de comunicações, registros e possíveis vínculos entre os suspeitos.

A corporação esclarece que as investigações continuam em andamento, com o objetivo de esclarecer completamente os fatos, identificar todos os envolvidos e determinar se esses crimes ocorreram de maneira isolada ou se há uma prática sistemática dentro do hospital.

Confira a nota oficial do Hospital Anchieta:

“O Hospital Anchieta S.A., com 30 anos de atuação na área de saúde em Brasília, vem ao público esclarecer as providências tomadas diante de fatos graves envolvendo ex-funcionários da instituição.”

Após identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos na Unidade de Terapia Intensiva, o hospital instaurou, por iniciativa própria — e em cumprimento ao seu dever civil, ético e de transparência — uma comissão interna de apuração. Uma investigação rápida e rigorosa foi conduzida, resultando na identificação de evidências envolvendo ex-técnicos de enfermagem, as quais foram enviadas às autoridades competentes em menos de vinte dias.

Baseando-se nesses elementos, o hospital solicitou a abertura de inquérito policial e adotou medidas cautelares, incluindo a prisão preventiva dos envolvidos, que já haviam sido desligados da instituição. Essas prisões ocorreram nos dias 12 e 15 de janeiro de 2026, conforme notificação oficial.

O hospital reforça seu compromisso com a transparência e a confiança nos protocolos internos que norteiam suas ações. Comunica às famílias das vítimas que mantém contato direto, oferecendo esclarecimentos responsáveis e solidários. Ressalta ainda que o caso tramita sob segredo de justiça, impossibilitando a divulgação de informações adicionais ou a identificação dos envolvidos.

Por fim, o Hospital Anchieta manifesta sua solidariedade às famílias e afirma que continua colaborando integralmente com as autoridades públicas, zelando pela segurança dos pacientes, pela verdade e por uma Justiça que se faça cumprir de forma eficaz.