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Saúde
18/01/2026 12:00:00

Perigos Emergentes: Avaliando os Riscos de Novas Epidemias em 2026

Vírus em evolução e a ameaça de pandemias globais neste novo ano

Perigos Emergentes: Avaliando os Riscos de Novas Epidemias em 2026

A propagação de agentes patogênicos não conhece fronteiras e, cada vez mais, se espalha com rapidez pelo planeta. Entre as preocupações centrais está a possibilidade de uma nova pandemia de gripe aviária causada pelo subtipo H5N1, que permanece sob constante vigilância.

De acordo com especialistas em doenças infecciosas, o ano de 2026 pode trazer desafios inéditos relacionados à circulação de vírus antigos e à emergência de novos. O aquecimento global e o crescimento populacional aumentam os contatos entre humanos e diferentes espécies de animais, elevando o risco de transmissão de agentes virais.

Além disso, a mobilidade global acelerada permite que esses vírus se disseminem rapidamente através de viajantes e rotas comerciais. Um dos principais focos de atenção é o vírus influenza A, uma ameaça constante devido à sua capacidade de infectar uma variedade de animais e de sofrer mutações ágeis.

O episódio de 2009, quando o vírus H1N1 causou a pandemia de gripe suína que resultou na morte de mais de 280 mil pessoas no mundo, é um exemplo do potencial destrutivo dessa doença. Ainda hoje, esse vírus permanece circulando. Recentemente, cientistas têm monitorado uma gripe aviária de alta patogenicidade, do tipo H5N1, que foi inicialmente identificada em humanos na China, em 1997.

A sua disseminação foi facilitada por aves selvagens, e o vírus foi detectado em rebanhos de gado leiteiro nos Estados Unidos em 2024, tornando-se prevalente em vários estados americanos. A preocupação aumenta pelo fato de que o vírus H5N1 pode se adaptar aos mamíferos, incluindo seres humanos. Investigações indicam que já ocorreram transmissões de vacas para humanos, o que reforça a necessidade de vigilância contínua.

Em 2026, as equipes de saúde buscam esclarecer se o vírus sofreu modificações suficientes para permitir a transmissão de pessoa para pessoa, uma condição essencial para o surgimento de uma nova pandemia de gripe. As vacinas disponíveis atualmente oferecem proteção limitada contra o H5N1, mas esforços estão em andamento para desenvolver imunizantes mais eficazes. Outro vírus que preocupa as autoridades sanitárias é o mpox, anteriormente conhecido como vírus da varíola dos macacos. Desde sua descoberta na década de 1950, sua incidência era rara, concentrada na África Subsaariana.

Apesar do nome, o vírus infecta principalmente roedores e, ocasionalmente, humanos. A doença causada pelo mpox provoca febre e lesões cutâneas dolorosas que podem persistir por semanas. Existem diferentes variantes do vírus, sendo o clado I geralmente mais severo do que o clado II. Uma vacina existe, mas tratamentos específicos ainda não foram desenvolvidos.

Em 2022, um surto global do clado II se espalhou por mais de 100 países, impulsionado por transmissão direta entre humanos, principalmente por contatos próximos e relações sexuais. Apesar de uma redução nos casos desde então, o vírus continua se estabelecendo mundialmente. Países na África Central também relataram aumento dos casos do clado I desde 2024, incluindo quatro ocorrências nos Estados Unidos em 2025, em pessoas que não viajaram para a África. A evolução futura dessas experiências de surto no exterior e nos EUA permanece incerta para 2026.

Nos trópicos, o vírus oropouche apresenta risco de transmissão por mosquitos e outros insetos. Identificado na década de 1950 na ilha de Trinidad, na América do Sul, ele causa febre, dores de cabeça e musculares, com a doença podendo durar dias ou semanas. A infecção pode reaparecer após a recuperação, e sua expansão é uma preocupação crescente. A ausência de tratamentos ou vacinas específicas, aliada ao fato de que os casos eram antes restritos à Amazônia, tem se alterado desde os anos 2000, com registros em outras regiões da América do Sul, Central e Caribe.

Nos Estados Unidos, os casos têm sido associados principalmente a viajantes. Especialistas alertam que, em 2026, surtos de oropouche podem continuar afetando populações nas Américas, já que o vetor — mosquitos — está presente em toda a região, incluindo o sudeste dos Estados Unidos, com potencial de expansão do vírus. Além dessas ameaças, outros vírus representam riscos consideráveis para o próximo ano. O chikungunya, por exemplo, segue causando surtos globais que preocupam os viajantes, alguns dos quais podem precisar de vacinação.

O aumento de casos de sarampo, impulsionado pela queda nas taxas de imunização, também é uma preocupação crescente, assim como o possível ressurgimento do HIV devido à diminuição de ajuda internacional e a novos desafios no tratamento. Vírus ainda não identificados podem emergir futuramente, à medida que os seres humanos interferem nos ecossistemas e viajam cada vez mais.

A vigilância contínua, o desenvolvimento de vacinas e tratamentos inovadores são essenciais para manter a humanidade protegida dessas ameaças virais em constante evolução.

Em todo o mundo, a interação entre pessoas, animais e o meio ambiente reforça a necessidade de ações coordenadas para monitorar e responder a novas epidemias. Investir em pesquisa e prevenção é fundamental para garantir a segurança global diante do cenário de riscos que 2026 promete apresentar.