O Ministério da Defesa anunciou, para o ano de 2024, a implementação de uma modalidade de serviço militar voltada às mulheres, com um total de 1.467 posições disponíveis para o segundo ano de vigência, com previsão de início das atividades em 2027.
Essa iniciativa, que é uma oportunidade de alistamento voluntário, percorre sua segunda edição, permitindo que jovens do sexo feminino que completarem 18 anos em 2026 possam se inscrever nas Forças Armadas. Diferentemente do alistamento obrigatório para os homens, a inscrição para mulheres é opcional, embora o procedimento continue sendo obrigatório para os homens.
Sarah Soares, que se alistou no ano passado, acredita que o Serviço Militar Inicial Feminino (Smif) representa um avanço significativo para a inclusão feminina no setor militar, além de ser uma chance de ampliar a presença das mulheres em diferentes áreas de atuação. Para ela, essa oportunidade também funciona como uma porta de entrada para compreender melhor os caminhos profissionais no meio militar.
Sarah enxerga o serviço voluntário como uma maneira de fortalecer a participação feminina em diversas funções, enquanto Evellyn Vitória Gomes, de 18 anos, recém-designada para atuar no Exército, destaca a importância do alistamento para o desenvolvimento de resistência, força, coragem e determinação nas mulheres.
Sarah, que também é concorrente em concursos públicos e atualmente faz estudos visando ingressar como oficial através de editais especializados, relata que seu interesse na carreira militar sempre existiu. Ela planeja ampliar seu período de serviço — atualmente, a legislação permite prorrogações de até oito anos, com períodos de um ano cada.
A decisão de Evellyn foi inicialmente recebida com receio por parte de sua família, composta principalmente por mulheres, devido a preconceitos existentes em relação à carreira militar. No entanto, ela explica que, com esclarecimentos sobre o funcionamento do serviço voluntário e suas motivações pessoais, o apoio familiar foi crescendo ao longo do tempo.
O período de serviço, que dura 12 meses, oferece múltiplas possibilidades para quem tem interesse na área militar, além de evidenciar a força e a capacidade das mulheres brasileiras. Evellyn, que desde pequena admira as forças armadas e se inspirou na história do tio, ex-coronel, revelou que o salário de R$ 1.177,00 recebido durante o serviço ajuda a alcançar seus objetivos pessoais.
Para alguns, essa experiência representa a entrada no mercado de trabalho, especialmente em situações onde a renda familiar depende do salário obtido pelo serviço militar. Allan Matos Almeida, de 19 anos, que entrou no Exército também por meio do alistamento obrigatório de 2024, afirmou que sua motivação inicial foi a renda adicional, além do desejo de seguir uma carreira no setor militar.
As inscrições para o alistamento de 2026 podem ser feitas até 30 de junho, presencialmente nas Juntas Militares ou pelo portal oficial do serviço online (https://alistamento.eb.mil.br/). Para este ciclo, o total de vagas femininas é de 1.467, distribuídas entre o Exército (1.010), Aeronáutica (300) e Marinha (157). Em comparação ao ano anterior, quando 33.721 mulheres se inscreveram, a participação feminina representou apenas 3,3% do total de alistados, que foi de 1.029.323 homens. O Ministério da Defesa explica que essa diferença se deve ao fato de o serviço ser obrigatório apenas para os homens, enquanto para as mulheres permanece uma escolha voluntária, com planos de ampliar esse número futuramente.
As vagas destinadas às mulheres estão espalhadas por 145 municípios de 21 estados, além do Distrito Federal. A proposta do ministério é de que, durante o período de serviço, as participantes tenham a oportunidade de atuar em diversas áreas, adquirindo experiências profissionais valiosas.
O histórico do serviço militar masculino no Brasil remonta a 1964, quando a Lei do Serviço Militar tornou obrigatória a apresentação ao alistamento para todos os cidadãos masculinos aos 18 anos. Desde então, a obrigatoriedade é uma exigência legal, sob pena de sanções administrativas para quem não regularizar sua situação militar dentro do prazo.
Os homens que não regularizarem sua situação enfrentam restrições como a impossibilidade de emitir passaporte, realizar matrícula em universidades, assumir cargos públicos, participar de concursos ou realizar outros atos civis. Para ambos os sexos, o processo de alistamento exige a apresentação de documentos pessoais, como certidão de nascimento ou casamento, RG ou passaporte, CPF e comprovante de residência.
Após a inscrição, os candidatos passam por avaliações físicas, exames de saúde e entrevistas, com o objetivo de verificar sua aptidão para a incorporação às Forças Armadas. Uma vez selecionados, eles cumprem o serviço militar inicial por 12 meses, podendo haver prorrogações conforme a legislação vigente. Nesse período, realizam treinamentos físicos, testes de aptidão (como o TAF) e atividades administrativas ou operacionais, preparando-os para o serviço militar pleno.