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Acidente
17/01/2026 14:00:00

Razões por trás do aumento de migrantes rumo ao extremo norte do Brasil

Movimento crescente de pessoas que buscam novas oportunidades na fronteira de Oiapoque e seus arredores

Razões por trás do aumento de migrantes rumo ao extremo norte do Brasil

Há mais de três décadas, Sheila Cals, natural do Pará, decidiu atravessar o rio Oiapoque, localizado na extremidade norte do território brasileiro, com o objetivo de proporcionar uma condição de vida mais digna aos seus filhos na Guiana Francesa, que faz fronteira com o Amapá.

Contudo, na capital da Guiana Francesa, Caiena, a costureira de 69 anos começou a ouvir de conhecidos, há aproximadamente dois anos, que era hora de retornar ao Brasil — mais precisamente para a cidade de Oiapoque, no Amapá. Com o tempo, ela passou a acreditar que esse era mesmo o momento de fazer a mudança. "Sempre tive o sonho de regressar ao Brasil.

Agora, estamos na expectativa de que aqui aconteça algo semelhante ao que ocorreu na Guiana e no Suriname", afirma Sheila, agora instalada em sua nova residência na cidade de Oiapoque.

Ela faz referência ao recente ciclo de crescimento econômico impulsionado pela exploração petrolífera nos países vizinhos, uma esperança que permanece viva entre residentes antigos e novos da cidade, que possui cerca de 30 mil habitantes.

A cidade, situada a quase 600 km de Macapá — sendo 100 desses sem pavimentação — mantém esperança de prosperidade. No ponto mais ao norte do Brasil, Oiapoque é o município mais próximo da chamada bacia da foz do rio Amazonas, na Margem Equatorial, onde a Petrobras iniciou operações de prospecção de petróleo em águas profundas. 

órgão ambiental Ibama concedeu autorização para as atividades em outubro, após anos de negociações e debates internos no governo Lula sobre o impacto ambiental. As sondagens devem continuar até março de 2026 para determinar se a extração de petróleo a 150 km da costa será economicamente viável.

No dia 6 de janeiro, a Petrobras interrompeu a perfuração de um poço após detectar um vazamento de fluido utilizado na limpeza e lubrificação da broca. Ainda não há informações sobre a retomada dos trabalhos.

Se a exploração petrolífera se consolidar, as cidades litorâneas do Pará e do Amapá, especialmente Oiapoque, deverão receber royalties, que representam uma fonte de renda significativa para a região. Esses recursos consistem em compensações financeiras pagas pelas empresas, como a Petrobras, pelo uso de recursos naturais não renováveis.

Maricá, no Rio de Janeiro, lidera a arrecadação com R$ 2,6 bilhões em royalties em 2025. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a exploração na Margem Equatorial pode elevar o Produto Interno Bruto do Amapá em até 61,2%, além de criar aproximadamente 54 mil empregos, entre diretos e indiretos.

Atualmente, o Amapá possui o terceiro menor PIB do Brasil, ficando atrás apenas de Acre e Roraima.