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Mundo
17/01/2026 04:00:00

Reforço militar na Groenlândia: países europeus e EUA demonstram interesse estratégico

Tensões aumentam enquanto Donald Trump manifesta desejo de adquirir a ilha de recursos abundantes

Reforço militar na Groenlândia: países europeus e EUA demonstram interesse estratégico

Na quinta-feira (15/1), uma força de 15 soldados franceses desembarcou na capital groenlandesa de Nuuk, marcando uma resposta coordenada de várias nações europeias que enviaram tropas ao território.

Esta movimentação ocorre em meio a um crescente esforço internacional de reconhecimento e presença militar na ilha, estimulada pelo interesse do governo americano, liderado por Donald Trump.

Diversos países, incluindo Alemanha, Suécia, Noruega, Holanda e Reino Unido, anunciaram missões de reconhecimento destinadas à Groenlândia, diante do aumento da tensão decorrente da intenção manifesta dos EUA de adquirir a região.

O objetivo é reforçar a presença na área estratégica no Ártico, que ainda pertence à Dinamarca, embora seja autônoma. Trump, que já expressara desejo de comprar a ilha durante seu primeiro mandato em 2019, retomou o discurso em 2025 ao retornar à Casa Branca. Nos dias atuais, voltou a afirmar que a posse do território é fundamental para a segurança nacional dos Estados Unidos.

O presidente francês Emmanuel Macron comunicou que a missão enviada ao local nesta semana será ampliada em breve, com a introdução de forças terrestres, aéreas e marítimas. Segundo Olivier Poivre d'Arvor, embaixador francês para os Polos e assuntos Marítimos, essa ação representa um forte sinal político, evidenciando que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), composta por 32 países, está presente na região.

A iniciativa diplomática foi precedida por encontros na Casa Branca na quarta-feira (14/1), entre os ministros das Relações Exteriores da Dinamarca e da Groenlândia com o vice-presidente americano, J.D. Vance.

Após esse encontro, Lars Lokke Rasmussen, ministro dinamarquês das Relações Exteriores, declarou que há uma 'discordância fundamental' com os EUA sobre a questão da Groenlândia. Durante a reunião, Rasmussen destacou que as negociações foram abertas, com um grupo de trabalho de alto nível criado para discutir o futuro do território autônomo dinamarquês.

Ele reforçou que há limites claros que a Dinamarca não aceitará que sejam ultrapassados, e que a possibilidade de os EUA expandirem bases militares na ilha está sendo considerada em parceria com os aliados.

Trump, por sua vez, reiterou seu interesse na ilha, destacando sua importância para a defesa antimísseis sob o projeto Golden Dome. Apesar das declarações do presidente, pesquisas indicam que a maioria dos groenlandeses se opõe à ideia de se submeterem aos EUA: em um levantamento de janeiro de 2025, apenas 6% apoiaram a integração, enquanto 85% manifestaram oposição.

Nos EUA, a resistência também é significativa, com apenas 17% apoiando a aquisição, segundo uma pesquisa da Reuters/Ipsos. As discussões atuais coincidem com operações militares americanas na Venezuela e na Síria contra o Estado Islâmico, além de ameaças de ações militares para conter protestos no Irã. Em declarações recentes, Trump admitiu que não se pode esperar uma resistência efetiva da Dinamarca contra uma possível ocupação russa ou chinesa na Groenlândia, indicando que os EUA podem agir unilateralmente caso haja ameaças.

A comunidade internacional acompanha de perto a escalada de interesses na região, que é de extrema importância estratégica devido à sua localização entre a América do Norte e o Ártico, além de sua capacidade de fornecer sistemas avançados de alerta precoce contra ataques com mísseis e monitoramento marítimo.

Apesar de sua baixa densidade populacional, a Groenlândia possui uma base militar americana desde a Segunda Guerra Mundial, especificamente em Pituffik, com uma presença contínua de mais de 100 soldados. Após as negociações, a ministra das Relações Exteriores da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, afirmou que o país está aberto a ampliar a cooperação com os Estados Unidos, porém rejeita qualquer ideia de anexação. Ela ressaltou que os limites do território devem ser respeitados.

Enquanto isso, o vice-presidente americano, Vance, e o senador Marco Rubio, não comentaram imediatamente após o encontro, mas Trump declarou ao sair do Salão Oval que os EUA precisam da Groenlândia para garantir sua segurança. Ele acrescentou que, embora a Rússia e a China possam tentar tomar a ilha, não há ações que a Dinamarca possa fazer para impedir, reforçando sua convicção de que os EUA terão que agir por conta própria.

A tensão vem crescendo, sobretudo após a mobilização de forças armadas na Europa e na região do Ártico, com países como Suécia, Alemanha, Reino Unido e França aumentando sua presença e reconhecimento na área.

França, por exemplo, anunciou planos de abrir um consulado na ilha no próximo mês e enviar elementos militares já em rota. Apesar do clima de disputa, a cooperação internacional continua, e a Dinamarca anunciou que sua presença militar na Groenlândia será fortalecida, sempre em estreita colaboração com seus aliados.

O governo local alertou que as tensões no Ártico estão se intensificando, refletindo o aumento do interesse de potências globais na região. Embora ainda não se saiba se Trump recorrerá à força militar para tomar a ilha, ele mantém essa possibilidade como uma opção, alimentando tensões diplomáticas e estratégicas.

As ações de Washington, aliadas às declarações de interesses de outros países europeus, indicam que o futuro da Groenlândia está cada vez mais no centro do cenário geopolítico mundial.