No dia 14 de janeiro de 2026, o governo do Irã anunciou a implementação da pena de morte contra Erfan Soltani, um jovem de 26 anos, preso em 8 de janeiro por sua participação em protestos que tomaram o país desde dezembro de 2025.
Essas manifestações resultaram na morte de mais de 2.400 pessoas, de acordo com dados de organizações de direitos humanos. Segundo informações do portal IranWire, familiares de Erfan relataram que ele atuava na indústria têxtil e recentemente ingressou em uma companhia privada.
Conhecido por seu estilo e paixão por moda, ele também tinha interesse por esportes e levava uma rotina simples, conforme amigos e seguidores nas redes sociais. A detenção ocorreu durante os protestos na cidade de Karaj, onde o jovem reside.
A Organização Hengaw pelos Direitos Humanos revelou que ele enfrenta uma acusação de Moharebeh, que significa "crime de ódio contra Deus", sendo considerada uma sentença de morte por enforcamento, método comum para esse tipo de condenação no país, responsável por centenas de mortes de manifestantes ao longo dos anos. A ONG denuncia que o governo iraniano tem privado Erfan de seus direitos essenciais, incluindo acesso a defesa legal e um julgamento justo. Relataram também que a família do jovem permaneceu sem informações por dias, sendo finalmente contactada pelas autoridades apenas para receber a notícia da execução, com um tempo de apenas 10 minutos para se despedir.
A organização também criticou a maneira como o procedimento foi conduzido, qualificando a sentença como uma execução extrajudicial, uma vez que ocorreram violações ao direito de defesa e a realização de julgamentos sumários. A preocupação aumenta diante do uso crescente de punições rápidas em processos que envolvem presos por participarem dos protestos. A repressão policial no Irã tem chamado atenção internacional, especialmente dos Estados Unidos.
O presidente Donald Trump ameaçou intervir militarmente caso o regime continue sua resposta violenta às manifestações. Na terça-feira, 13 de janeiro, Trump afirmou que o país tomará "medidas duras" se os manifestantes presos forem executados, incentivando a população iraniana a persistir nos protestos e prometendo que a ajuda está a caminho.
Ele também pediu que os cidadãos mantenham registro dos nomes dos responsáveis por violações e mortes, e anunciou o cancelamento de reuniões com autoridades iranianas até que a violência contra os manifestantes cesse.
Essas declarações geraram forte reação no Irã, que acusou Trump de incentivar a instabilidade política e ameaçar sua soberania, responsabilizando os Estados Unidos pela morte de civis, especialmente jovens, além de fazer críticas similares a Israel, que também apoia os protestos e condena a repressão.