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Saúde
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Campanha Janeiro Branco: Reconhecendo os Sinais Silenciosos do Sofrimento Psicológico

Especialistas destacam a importância de tratar a saúde mental como prioridade contínua, além das ações simbólicas

Campanha Janeiro Branco: Reconhecendo os Sinais Silenciosos do Sofrimento Psicológico

Início de ano costuma simbolizar novas perspectivas, estabelecendo metas e renovando expectativas, porém, para muitas pessoas, janeiro revela também momentos de ansiedade, frustração e fadiga emocional.

Na edição desta semana do TH Entrevista, a psicóloga Patrícia Lins, membro da equipe técnica responsável pela atenção psicossocial na Secretaria Municipal de Saúde de Maceió, ressaltou que o cuidado psicológico deve transcender campanhas de conscientização e integrar-se ao cotidiano das pessoas.

De acordo com Patrícia, o Janeiro Branco desempenha um papel fundamental ao promover diálogos públicos acerca da saúde mental, mas há o risco de se limitar a uma abordagem superficial de positividade.

"O sofrimento psicológico nem sempre é aparente. Muitas vezes, manifesta-se sob a forma de cansaço extremo, irritabilidade, perda de propósito ou dificuldades em realizar tarefas simples", afirmou à Tribuna Independente.

Ela também alertou que emoções como ansiedade e nervosismo não devem ser negligenciadas, especialmente após períodos de alta pressão emocional, como as festas de fim de ano. Para a especialista, a expectativa de que o novo ciclo comece 'de forma perfeita' pode piorar quadros já existentes.

"Nem todos conseguem mudar seu estado emocional de forma instantânea em janeiro. Quando essa expectativa vira uma obrigação, ela acaba gerando mais culpa do que incentivo ao autocuidado", destacou. Durante a conversa, Patrícia enfatizou ainda o impacto do estigma na busca por suporte psicológico.

O receio de julgamento social e a falsa impressão de que procurar ajuda denota fraqueza continuam desencorajando muitas pessoas de acessarem os serviços de saúde mental. "Cuidar da saúde emocional é tão fundamental quanto o cuidado com o corpo. Ignorar sinais de sofrimento pode levar ao agravamento de problemas", ela alertou. A especialista explicou que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento psicológico gratuito através de unidades básicas e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), além de outros centros vinculados à rede municipal.

O procedimento padrão geralmente inicia-se na atenção primária, que encaminha o paciente para o serviço mais adequado às suas necessidades. Outro aspecto discutido foi a maior vulnerabilidade emocional de grupos específicos, como mulheres sobrecarregadas, trabalhadores em condições instáveis, jovens e indivíduos em isolamento social. Segundo Patrícia, fatores econômicos, familiares e sociais impactam diretamente a saúde mental e devem ser considerados na formulação de políticas públicas.

Por fim, a psicóloga reforçou que o autocuidado emocional não se resume a soluções rápidas ou autoajuda superficial. "A saúde mental é construída por meio de escuta atenta, acolhimento, acesso facilitado aos serviços e compreensão de que ninguém precisa enfrentar tudo sozinho", concluiu.

A entrevista completa está disponível no Canal Portal Tribuna Hoje no YouTube e no site tribunahoje.com. Descubra mais O programa TH Entrevista é realizado semanalmente, trazendo especialistas para debater temas relevantes ao público, com foco em divulgação de informações, prevenção de problemas e promoção da cidadania.