A luta contra a obesidade está entrando em uma fase inovadora a partir de 2026, com o desenvolvimento de medicamentos mais avançados que utilizam novas vias hormonais e formatos acessíveis.
Após o sucesso dos agonistas de GLP-1, como a semaglutida e a tirzepatida, a indústria farmacêutica projeta terapias ainda mais potentes, capazes de proporcionar perdas de peso significativas e melhorar o manejo de doenças associadas, reafirmando a obesidade como um problema de saúde global.
De acordo com o endocrinologista Hércules Marques (@drherculesendocrino), que atua na residência do Hospital Adriano Jorge, as drogas atuais já representam avanços importantes por imitarem a ação do hormônio GLP-1, liberado pelo intestino após as refeições.
Essa substância serve como um aviso ao organismo de que a ingestão de comida ocorreu, promovendo a redução da fome e aumentando a sensação de saciedade, explicou ao VIDA neste sábado (3).
Esses medicamentos atuam retardando o esvaziamento gástrico e influenciando diretamente o sistema nervoso central, o que auxilia na diminuição do apetite. A inovação mais recente no mercado é a tirzepatida, que combina a ação do GLP-1 com a do GIP, ampliando os efeitos no controle da glicose e do apetite.
Ela vai além dos tradicionais análogos do GLP-1, potencializando resultados tanto no tratamento do diabetes quanto na perda de peso, afirmou o especialista. Inicialmente destinadas ao tratamento do diabetes tipo 2, essas drogas também mostraram benefícios importantes para a saúde cardiovascular e o metabolismo.
Projeções indicam que o retatrutide, produzido pela Eli Lilly, será uma das próximas alternativas revolucionárias, por atuar sobre três hormônios: GLP-1, GIP e glucagon.
Essa combinação amplia os mecanismos que influenciam o metabolismo, o apetite e o gasto energético, explicou Hércules. Estudos clínicos sugerem que esse medicamento pode produzir perdas de peso superiores às terapias atuais, especialmente em pacientes com obesidade severa ou diabetes coexistente. Contudo, o especialista adverte que o retatrutide ainda está em fase 3 de testes e não possui autorização para uso comercial.
A previsão de lançamento oficial é apenas para 2027, portanto, qualquer produto divulgado antes dessa data não corresponde à molécula original e pode representar riscos à saúde, destacou.
Outra alternativa de destaque é o CagriSema, da Novo Nordisk, que combina semaglutida com cagrilintida, um análogo da amilina. Embora essa combinação tenha obtido resultados superiores à semaglutida isolada, o lançamento também está previsto para entre 2026 e 2027, e outras moléculas mais recentes têm mostrado efeitos ainda mais expressivos.
No âmbito do acesso ao tratamento, as versões orais dos medicamentos antiobesidade representam um avanço significativo. O orforglipron, por exemplo, é uma versão oral da semaglutida.
Como esses remédios não dependem de aplicação injetável, há maior facilidade na adesão ao tratamento, além de potencialmente reduzir custos, pontuou Hércules. Entretanto, ele ressalta que os preços continuam elevados, limitando o alcance para grande parte da população.
Com o desenvolvimento de terapias cada vez mais eficazes, o reconhecimento da obesidade como uma enfermidade crônica tem se intensificado. Ela está ligada ao diabetes, hipertensão, dislipidemia e elevado risco cardiovascular. Quanto maior o índice de massa corporal (IMC), maior é o risco de mortalidade, lembrou o endocrinologista.
A expectativa é que, futuramente, esses medicamentos possam até diminuir a necessidade de cirurgias bariátricas em alguns casos específicos. Mesmo com todos esses avanços, Hércules enfatiza que as novas drogas não substituem mudanças no estilo de vida.
A obesidade possui múltiplos fatores e o tratamento fundamental continua sendo a reeducação alimentar juntamente com a prática regular de atividade física. Os medicamentos funcionam como aliados, facilitando a adesão a hábitos mais saudáveis. Por fim, ele alerta sobre os perigos de automedicação e uso sem prescrição médica, destacando que o tratamento deve iniciar com doses baixas e ser ajustado gradualmente, conforme a tolerância do paciente.
Quando não seguidos esses cuidados, os efeitos colaterais podem aumentar e os resultados podem ficar aquém do esperado. Portanto, o acompanhamento médico é essencial para garantir segurança, eficácia e resultados duradouros.