Desde a implementação do acordo de trégua com Israel na faixa de Gaza, pelo menos 100 menores de idade foram mortos, de acordo com informações divulgadas nesta terça-feira (13) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
O relatório indica que, durante o período de cessar-fogo iniciado em outubro, cerca de uma criança por dia foi vítima de violência, totalizando 60 meninos e 40 meninas. Essas vítimas sofreram ataques aéreos, operações com drones — incluindo drones suicidas — além de serem baleadas por forças terrestres e de receberem tiros de armas de fogo reais, detalhou o representante do Unicef, James Elder, em uma videoconferência ao vivo de Gaza, realizada em Genebra.
Segundo o órgão, a cifra real de vítimas infantis certamente ultrapassa esses números. Uma fonte do Ministério da Saúde de Gaza, responsável pelo registro de vítimas, informou à AFP que o total de crianças mortas desde o início do acordo chega a 165, em meio a um total de 442 óbitos. Além dessas mortes, sete menores também faleceram por hipotermia desde o começo do ano, conforme Zaher Al-Wahidi, diretor do departamento de informática do ministério, revelou à agência.
O Exército de Israel ainda não respondeu às perguntas sobre esses números feitas pela AFP. Elder destacou que as crianças na região vivem constantemente com medo, sofrendo com traumas psicológicos que permanecem sem tratamento adequado. Quanto mais prolongada essa situação, mais difícil se torna sua recuperação, alertou o representante do Unicef.
Para ele, embora a redução dos bombardeios seja um avanço, um cessar-fogo que apenas impede ataques não é suficiente. "Um cessar-fogo que ao mesmo tempo enterram mais crianças é insuficiente", declarou Elder, acrescentando que a aparente estabilidade internacional muitas vezes seria considerada uma crise em outros contextos.
Dados recentes da ONU indicam que, desde o início do conflito desencadeado por Israel em resposta ao ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, mais de 70 mil pessoas perderam suas vidas em Gaza. Aproximadamente 80% das construções da região sofreram destruição ou danos devido ao combate.
Na mesma linha, Elder criticou a decisão de Israel, datada de 1º de janeiro, de bloquear o acesso de 37 organizações humanitárias internacionais à faixa de Gaza, após estas se recusarem a fornecer às autoridades palestinas a lista de seus funcionários. "Restringir o trabalho das ONGs e impedir a ajuda humanitária vital é uma ação que agrava ainda mais a crise", lamentou.
Embora o Unicef tenha conseguido ampliar significativamente os recursos disponíveis após o cessar-fogo, Elder reforçou a necessidade de contar com parceiros locais no terreno. Ele questionou se o bloqueio de ONGs e jornalistas estrangeiros não estaria, na verdade, com o objetivo de esconder a extensão do sofrimento infantil na região, ao limitar a visibilidade dos impactos dessa crise humanitária.