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Mundo
11/01/2026 14:00:00

Crescendo crise no Irã: mortes, detenções e controle de informações intensificam protestos

Relatos de corpos em hospitais e ameaças de repressão crescente marcam o agravamento da turbulência no país, enquanto o governo iraniano implementa um apagão digital de mais de 48 horas

Crescendo crise no Irã: mortes, detenções e controle de informações intensificam protestos

O Irã atravessa uma das suas maiores crises internas dos últimos anos, com manifestações que atingem todas as 31 províncias do território nacional. Enquanto isso, o governo mantém uma suspensão de conexão à internet que já dura mais de dois dias, dificultando o fluxo de informações.

Organizações de direitos humanos alertam que dezenas de manifestantes perderam suas vidas em confrontos e que milhares foram presos desde o início dos protestos. Segundo relatos de ativistas, há cenas de multidões de corpos sendo observadas em hospitais públicos, reforçando a gravidade da situação.

Em Mashad, cidade natal do líder supremo Ali Khamenei, as demonstrações de descontentamento tiveram uma ação simbólica ao os manifestantes destruírem a bandeira da República Islâmica, rasgando-a em pedaços como forma de desafio às autoridades locais.

O governo iraniano cortou as transmissões de comunicações, levantando o temor de que esse isolamento digital seja empregado para uma repressão ainda mais severa contra os opositores. Essa interrupção na rede não só impede a organização de protestos, como também limita o acesso às informações externas, dificultando o entendimento global do que acontece no país.

Um fenômeno novo nas manifestações é o aumento de pedidos pela restauração da monarquia, um clamor que não tinha sido ouvido anteriormente. Alguns manifestantes parecem seguir os apelos de Reza Pallav, filho mais velho do último xá do Irã, que vive exilado nos Estados Unidos desde a Revolução Islâmica de 1979.

Em um artigo do Washington Post, Pallav afirmou não ver os protestos como uma manifestação por seu nome, apresentando-se como um potencial líder de transição para guiar o país de uma ditadura para uma democracia.

Apesar disso, Pallav permanece uma figura controversa e divisiva. Muitos iranianos argumentam que ele está fora do contato com a realidade do povo que lidera a luta por liberdade, já que ele não pisa no Irã há décadas.

Enquanto isso, a comunidade internacional acompanha com preocupação o avanço dos eventos, receosa de que a repressão possa se intensificar ainda mais nos próximos dias. A crescente onda de protestos, que abrange todas as regiões do país, revela um momento de forte instabilidade política.

As ações do regime, incluindo a supressão digital e o aumento nas prisões, indicam uma tentativa de sufocar as manifestações, enquanto relatos de violência e mortes se multiplicam, aumentando a pressão sobre o governo iraniano.

A situação permanece tensa, com o futuro do país incerto diante de um cenário de conflito e resistência cada vez mais intenso.