Reza Pahlavi, descendente do último monarca do Irã, anunciou nesta sexta-feira (10/01) a convocação de uma greve geral em solo iraniano, em meio a quase duas semanas de manifestações que resultaram na morte de mais de cinquenta pessoas.
O objetivo da paralisação é desestabilizar os setores financeiros do país e enfraquecer as forças repressivas do governo liderado pelo aiatolá Ali Khamenei. O exilado, que reside nos Estados Unidos, reforçou o apelo aos trabalhadores de setores estratégicos, como transporte e energia, para que iniciem suas paralisações neste sábado e domingo, além de convidar todos os cidadãos a saírem às ruas portando bandeiras, imagens e símbolos nacionais.
Em uma mensagem publicada em redes sociais, acompanhada por um vídeo, Pahlavi enfatizou: "Não basta apenas protestar; é preciso tomar o controle das cidades e manter essa posição." Desde 1979, quando o regime do seu pai Mohamed Reza Pahlavi foi derrubado, o político vive exilado.
Ele afirmou estar se preparando para retornar ao Irã, acreditando que um dia sua presença será fundamental para o sucesso de uma revolução que ele acredita estar próxima. Pahlavi destacou que a mobilização popular, que já dura quase duas semanas, coincide com o corte de acesso à internet e às telecomunicações no país, uma medida que, segundo ele, tenta sufocar as manifestações e reforçar a repressão por parte das forças de segurança.
Na sua visão, sua liderança é fundamental na oposição ao governo atual, uma vez que há anos o Irã carece de uma força política reconhecida pelos manifestantes como uma alternativa confiável. Como resultado, muitos iranianos depositam suas esperanças na ajuda de entidades externas. Durante as manifestações, gritos de "Viva o rei!" podem ser ouvidos, uma clara referência ao seu status de herdeiro do trono anterior.
Especialistas, como o acadêmico Sadegh Sibakalam, avaliam que o respaldo ao exilado é mais fruto da incapacidade do regime do que de suas qualidades de liderança, apontando para má gestão e decisões equivocadas por parte do governo iraniano. Desde o início dos protestos, em 28 de dezembro, a ONG Iran Human Rights, com sede na Noruega, registrou ao menos 51 vítimas fatais, incluindo nove crianças.
Além disso, centenas de pessoas ficaram feridas nos 13 primeiros dias de mobilizações. Relatos indicam que o número de mortos pode ser ainda maior, mas as verificações têm sido restritas às informações confirmadas por duas fontes independentes ou por testemunhas diretas.
O relatório aponta que a prisão de manifestantes ultrapassa a marca de 2.200 detidos, evidenciando a forte repressão enfrentada pelos civis que desafiam o regime iraniano.