Com o calendário eleitoral se aproximando, o mandatário Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se prepara para uma grande reformulação em sua equipe principal. A previsão é de que mais de duas dezenas de ministros deixem suas posições nos próximos meses para concorrer a cargos estaduais, na Câmara dos Deputados ou no Senado Federal.
Na maior parte dos casos, a tendência é que as funções sejam assumidas de forma temporária por secretários-executivos durante o período de transição. Estima-se que essas mudanças se consolidem em até três meses. Segundo a legislação eleitoral vigente, servidores públicos que desejam concorrer a cargos diferentes dos atuais precisam se desincompatibilizar até seis meses antes da eleição. Para o pleito de 2026, a data limite é 4 de abril.
O objetivo do Palácio do Planalto vai além de garantir a reeleição de Lula: busca ampliar a sua base de apoio no Congresso Nacional para fortalecer sua governabilidade, especialmente em um cenário onde a esquerda ainda enfrenta desafios na obtenção de respaldo político. A seguir, confira quem deve deixar o governo para disputar as eleições de 2026: **Representantes do Executivo Estadual** O ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB-AL), já confirmou sua intenção de buscar a reeleição ao governo de Alagoas. Ele governou o estado por dois mandatos consecutivos, de 2015 a 2022, e em 2022 foi eleito senador, cargo ao qual se licenciou para assumir o ministério.
**Candidaturas ao Senado** O fortalecimento no Senado é prioridade para Lula, já que 54 das 81 cadeiras estarão em disputa na eleição de 2026. A estratégia de indicar ministros para essas vagas é vista como uma forma de consolidar o apoio ao presidente em um possível quarto mandato.
O ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT-BA), pretende disputar uma vaga na Casa Alta pela Bahia, onde já atuou como deputado federal e governador. Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), que ocupa o cargo de Ministro de Portos e Aeroportos, está considerando deixar o governo para tentar uma cadeira no Senado, assim como Waldez Góes (PDT-AP), que atua na área de Integração Regional. A ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB-MS), também é cogitada para disputar uma vaga no Senado por São Paulo, embora precisasse mudar seu domicílio eleitoral para a capital paulista.
Sua participação na eleição ainda não foi confirmada, pois ela também é sondada para uma candidatura ao governo paulista. Marina Silva, ministra do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, também aparece como nome para uma vaga no Senado por São Paulo, com especulações sobre sua filiação a partidos diferentes, incluindo PT, PSOL e PSB.
Por outro lado, os ministros Carlos Fávaro (PSD-MT), de Agricultura, e Alexandre Silveira (PSD-MG), de Minas e Energia, planejam tentar a reeleição ao Senado por seus respectivos estados. **Candidatos à Câmara dos Deputados** Conforme divulgado pelo Metrópoles, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR), já decidiu que tentará a reeleição à Câmara dos Deputados. Em 2022, ela foi a segunda parlamentar mais votada no Paraná, com mais de 261 mil votos.
Também devem buscar novos mandatos André de Paula (PSD-PE), ministro da Pesca e Aquicultura, e Paulo Teixeira (PT-SP), do Desenvolvimento Agrário. Wolney Queiroz (PDT-PE), responsável pela Previdência Social, tenta retornar à Câmara após seis mandatos consecutivos.
Outros nomes com intenções de disputar vagas na Casa incluem Jader Filho (MDB-PA), do partido de Cidades; Anielle Franco (PT-RJ), da Igualdade Racial; Macaé Evaristo (PT-MG), dos Direitos Humanos; e Sônia Guajajara (PSol-SP), dos Povos Indígenas. Dentro do PT, há uma expectativa de que a ministra da Cultura, Margareth Menezes, se filie ao partido para concorrer ao governo da Bahia, embora essa decisão ainda não tenha sido oficializada; ela conta com o apoio direto de Lula
Alguns nomes aguardam sua saída do governo sem a intenção de participar das eleições, como Sidônio Palmeira, chefe da Secretaria de Comunicação Social, que deve deixar o cargo para coordenar a campanha de reeleição de Lula, repetindo sua atuação em 2022. A primeira saída oficial confirmada para 2026 foi a de Ricardo Lewandowski, ministro da Justiça e Segurança Pública, que entregou sua carta de demissão nesta quinta-feira, 8 de janeiro. Ele alegou motivos pessoais e familiares e afirmou que cumpriu seu papel no executivo.
Fernando Haddad (PT), ministro da Fazenda, é uma das maiores apostas do partido para disputar o governo de São Paulo ou uma vaga no Senado. No entanto, ele tem demonstrado resistência a candidatar-se, afirmando que deseja se dedicar à coordenação da campanha de Lula para um possível quarto mandato presidencial. Segundo o Metrópoles, Haddad já sinalizou sua intenção de deixar o cargo antes do término do mandato, mas ainda não há uma data definida para sua saída.
Apesar de afirmar publicamente que não pretende disputar, ele continua sob pressão do PT e de Lula para se candidatar em 2026, por sua proximidade com o presidente. Geraldo Alckmin (PSB), vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, também ainda avalia se entrará na disputa eleitoral. Ele é cotado para concorrer ao governo de São Paulo ou ao Senado, mas sua decisão ainda não foi tomada.
Márcio França (PSB), ministro do Empreendedorismo e Microempresa, trabalha para viabilizar sua candidatura ao governo paulista, independentemente do apoio de Lula. No Ceará, o ministro da Educação, Camilo Santana (PT), analisa se deixará o cargo para retomar seu mandato no Senado, eleito em 2022, ou se tentará novamente o comando do Estado, onde foi governador de 2015 a 2022. Já André Fufuca (PP-MA), ministro do Esporte, ainda não decidiu seu destino político.
Deputado federal desde 2014, ele avalia disputar o governo do Maranhão ou uma vaga no Senado.