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Mundo
10/01/2026 18:00:00

Gigante de Gelo A-23A Está à Beira de Colapso, Revela Nasa

Imagem de satélite mostra estágio avançado de derretimento de maior iceberg do planeta no Atlântico Sul

Gigante de Gelo A-23A Está à Beira de Colapso, Revela Nasa

A Nasa, agência espacial dos Estados Unidos, divulgou na última quinta-feira (8) uma fotografia do maior bloco de gelo do mundo, o iceberg A-23A, que está próximo de se desintegrar, localizado no Atlântico Sul, entre o leste da América do Sul e as Ilhas Geórgia do Sul.

Originado da Antártida em 1986, o A-23A possuía uma extensão de 4 mil km² na época, uma área superior ao dobro da cidade de São Paulo (1.521 km²) e semelhante à área do Distrito Federal (5,8 mil km²).

Desde então, ele vem perdendo massa, chegando a uma superfície de 1.181 km², equivalente aproximadamente à do Rio de Janeiro (1,2 mil km²). Na imagem capturada por satélite em 26 de dezembro, é possível notar as regiões restantes do iceberg encharcadas, com vastas áreas de água azulada refletindo o derretimento na superfície. No dia seguinte, uma imagem mais detalhada foi obtida por um astronauta na Estação Espacial Internacional, revelando manchas ainda maiores de água.

As áreas de tonalidade azul provavelmente resultam de processos de desagregação contínuos, segundo Ted Scambos, pesquisador da Universidade do Colorado, que explicou ao site da Nasa que o peso da água nas fissuras provoca a abertura dessas rachaduras. Uma linha branca fina ao redor da borda externa do bloco indica uma espécie de “baluarte-fosso”, um padrão criado pelo recuo das bordas à medida que derretem na linha d'água, devido à curvatura do gelo.

A imagem sugere ainda que o iceberg possui uma fissura, possivelmente ocasionada por uma espécie de explosão — um fenômeno que o especialista aposentado Chris Shuman descreveu como resultado do acúmulo de água na parte superior, que exerceria pressão suficiente nas margens do iceberg para rompê-lo. Essa ruptura facilitaria a dispersão da água derretida por dezenas de metros até atingir o oceano. Cientistas afirmam que esses sinais indicam que o A-23A pode se fragmentar totalmente em questão de dias ou semanas.

Shuman comentou que não acredita na permanência do iceberg até o final do verão do hemisfério Sul, pois ele já está em águas a cerca de 3 graus Celsius e sendo impulsionado por correntes que o conduzem a águas ainda mais quentes, acelerando seu derretimento.

A trajetória do A-23A foi marcada por eventos imprevisíveis, contribuindo para o avanço no entendimento dos megaicebergs pelos pesquisadores. Após permanecer encalhado nas águas rasas do Mar de Weddell por mais de três décadas, o bloco se desprendeu em 2020 e passou meses na coluna de Taylor, um vórtice oceânico de rotação. Ele chegou a girar e a se dirigir ao norte, quase colidindo com a Ilha da Geórgia do Sul, ficando retido por meses em áreas rasas antes de se libertar para o oceano aberto, onde se desfez rapidamente ao longo de 2025. Cientistas que acompanharam sua trajetória ao longo de toda essa “vida” manifestaram uma mistura de emoções diante do seu desaparecimento iminente.

Shuman destacou a importância dos recursos de satélite que possibilitaram monitorar a evolução do iceberg de perto, além de expressar sua surpresa com a duração do A-23A, comparando sua trajetória à de outros icebergs da Antártida. Ele afirmou ainda que é difícil imaginar que o iceberg não estará mais por perto em breve.