11/01/2026 23:25:54

Saúde
10/01/2026 12:00:00

Por que as infecções vaginais se tornam mais frequentes no verão e quais medidas de proteção podem ser adotadas?

Entenda os fatores sazonais que contribuem para o aumento de problemas na saúde íntima feminina e saiba como evitar complicações

Por que as infecções vaginais se tornam mais frequentes no verão e quais medidas de proteção podem ser adotadas?

Durante os meses mais quentes, é comum que as mulheres enfrentem maior incidência de condições desconfortáveis na região íntima.

O clima de altas temperaturas, umidade elevada, uso de biquínis molhados e mudanças de rotina favorecem o desequilíbrio da flora vaginal, levando ao surgimento de infecções, especialmente candidíase vulvovaginal. Essa condição afeta até 75% das mulheres ao longo da vida.

A candidíase é causada por fungos do gênero Candida, sendo que a espécie Candida albicans corresponde a aproximadamente 90% dos casos. O problema ocorre quando há uma alteração na microbiota vaginal, muitas vezes desencadeada por fatores típicos do verão, como roupas justas, uso prolongado de biquínis úmidos, suor excessivo e mudanças na rotina diária.

A ginecologista Dra. Paula Fettback, especialista em reprodução humana pela FEBRASGO, explica que as altas temperaturas e a umidade criam um ambiente quente e abafado na área genital, facilitando a proliferação de fungos e bactérias. Isso provoca um desequilíbrio na flora vaginal e aumenta a probabilidade de infecções.

Dentre as alterações mais comuns nesta estação do ano, estão: - Candidíase, resultado do crescimento excessivo do fungo Candida; - Vaginoses bacterianas, que envolvem o desequilíbrio entre as bactérias 'boas' e 'ruins' na vagina; - Dermatites e irritações vulvares, ocasionadas por atrito, roupas úmidas, cloro ou alergias.

Os sintomas mais frequentes incluem coceira constante, sensação de queimação ao urinar ou durante o ato sexual, vermelhidão, inchaço e secreção vaginal espessa, com aparência semelhante ao leite coalhado.

O uso prolongado de biquínis molhados realmente representa um risco, não uma simples recomendação. Dra. Paula Fettback afirma que a peça úmida retém calor, suor, resíduos de cloro ou água do mar, criando condições ideais para o crescimento de fungos e bactérias. Permanecer com o biquíni molhado por muito tempo aumenta significativamente as chances de desenvolver candidíase ou irritações.

Embora não exista um período exato considerado seguro, a orientação prática é evitar ficar mais de uma a duas horas com a roupa úmida. Sempre que possível, é aconselhável levar um biquíni seco para trocar durante o dia, especialmente para quem possui histórico de infecções recorrentes, recomenda a ginecologista Dra. Graziela Canheo, especialista em reprodução humana na La Vita Clinic.

Além dos fatores relacionados ao uso de roupas molhadas, outros aspectos ligados ao estilo de vida também influenciam na saúde íntima feminina neste período.

Longas viagens, noites de sono irregulares, maior consumo de bebidas alcoólicas e uma alimentação rica em açúcar podem comprometer o sistema imunológico e alterar o pH vaginal, facilitando a proliferação do fungo Candida. Além disso, permanecer sentada por longos períodos e usar roupas que abafam contribuem para o aumento do calor e da umidade na região.

Durante o verão, é importante ficar atenta a sinais como: - Coceira ou ardor persistente; - Secreção anormal, com aspecto espumoso, amarelado, acinzentado ou com textura semelhante a leite coalhado; - Odor desagradável na região vaginal; - Dor ao urinar ou durante o ato sexual; - Vermelhidão ou inchaço intensos.

A detecção precoce desses sintomas facilita o tratamento, que costuma ser simples e mais eficaz. Ignorar os sinais pode levar ao agravamento do quadro, alerta Dra. Graziela.

Para manter a saúde íntima durante o verão, algumas dicas essenciais incluem: - Trocar o biquíni molhado imediatamente após sair da água; - Optar por roupas íntimas de algodão, que proporcionam melhor ventilação; - Evitar duchas vaginais e produtos com fragrância, pois eles podem alterar o pH vaginal; - Secar bem a região após banho, piscina ou contato com o mar.

Além dessas medidas, manter-se bem hidratada, adotar uma alimentação equilibrada, reduzir o consumo de álcool e açúcar, e garantir uma rotina de sono adequada contribuem para preservar o equilíbrio da flora vaginal ao longo de toda a estação quente.