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Mundo
10/01/2026 02:00:00

Revoltas crescentes no Irã levam a corte de serviços digitais e acusação de envolvimento estrangeiro

Manifestações massivas resultam em dezenas de mortes e bloqueio de comunicações oficiais, enquanto líder supremo faz acusações contra opositores

Revoltas crescentes no Irã levam a corte de serviços digitais e acusação de envolvimento estrangeiro

Nos últimos dias, o Irã vive uma escalada de protestos que têm causado uma significativa violência, com um saldo de pelo menos 50 vítimas fatais e mais de 2.270 pessoas detidas, conforme informações da Human Rights Activists News Agency, com sede nos Estados Unidos. Em resposta às manifestações, o governo iraniano interrompeu o acesso à internet e às chamadas internacionais, dificultando o rastreamento da situação.

Durante a madrugada desta sexta-feira (09/01), multidões de iranianos continuaram marchando e protestando nas ruas, após um apelo feito pelo príncipe herdeiro exilado para fortalecer as manifestações, apesar do bloqueio das redes sociais e das linhas telefônicas internacionais. Vídeos compartilhados nas plataformas digitais, divulgados por ativistas, mostram pessoas entoando cânticos contra o governo ao redor de fogueiras, enquanto destroços estão espalhados pelas ruas da capital, Teerã, e de outras regiões.

A mídia estatal do Irã quebrou seu silêncio e atribuiu os atos de violência a supostos 'agentes terroristas' apoiados por Estados Unidos e Israel, alegando que esses responsáveis foram os causadores dos incêndios e dos atos de vandalismo. Ainda segundo a imprensa oficial, houveram vítimas, embora sem detalhes específicos divulgados.

O líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, que tem 86 anos, se manifestou em uma breve transmissão televisiva, sinalizando que as forças de segurança irão endurecer a repressão contra os manifestantes. Enquanto isso, a multidão ao vivo gritava palavras de protesto como 'Morte à América!'. Khamenei também fez acusações de que os protestos estariam sendo orquestrados em nome do presidente dos EUA, Donald Trump, e que indivíduos estariam destruindo bens públicos sob a influência de interesses estrangeiros, advertindo que Teerã não tolerará ações de 'mercenários estrangeiros'.

As manifestações também se estenderam à cidade de Qom, onde ocorreram protestos visíveis em diferentes áreas, segundo registros fotográficos de Kamran, da Middle East Images, disponibilizados pela agência de notícias.

Na sua primeira declaração oficial sobre os protestos, Khamenei afirmou que o governo irá reprimir vigorosamente os atos de rebelião. A dimensão exata dessas manifestações permanece incerta devido ao bloqueio das comunicações, porém, trata-se de um dos maiores episódios de mobilização popular enfrentados pelo país nos últimos anos, desde as manifestações de 2022 e 2023, que tiveram como catalisador a morte de Mahsa Amini, uma jovem presa sob acusação de violar o código de vestimenta feminino.

O movimento representa também um teste para o impacto que o príncipe herdeiro Reza Pahlavi consegue exercer sobre a população iraniana. Sua influência foi demonstrada na noite de quinta-feira, com manifestações que ocorreram após seu chamado, às 20h, horário local. Os protestos em Teerã tiveram forte adesão, com pessoas gritando frases como 'Morte ao ditador!', 'Morte à República Islâmica!' e apoiando a figura do príncipe, gritando 'Este é o último combate! Pahlavi voltará!'. Antes da interrupção das comunicações, milhares de cidadãos estavam nas ruas.

Pahlavi declarou que a população iraniana buscava por liberdade naquela noite e que o regime cortou todas as formas de comunicação para silenciar a voz do povo. Ele pediu apoio internacional, especialmente de líderes europeus, para responsabilizar o governo iraniano, solicitando o uso de recursos técnicos, financeiros e diplomáticos para restabelecer o contato com o povo, permitindo que suas vozes sejam ouvidas e suas vontades, manifestadas. Ele também destacou que o bloqueio teria inviabilizado a circulação de notícias oficiais e semioficiais do país.

Nos Estados Unidos, o ex-presidente Donald Trump voltou a ameaçar o Irã, destacando a possibilidade de intervenções militares caso haja mais mortes durante os protestos. Em uma entrevista na última quinta-feira, Trump afirmou que Teerã foi advertida severamente, enfatizando que qualquer ação de violência resultará em altos custos para o regime. Ainda na mesma ocasião, em entrevista à Fox News, Trump sugeriu que o líder iraniano, o aiatolá Khamenei, estaria considerando deixar o país, alegando que a situação está se tornando insustentável.

Desde 2022, o Irã passou por diversas ondas de protesto devido às dificuldades econômicas agravadas por sanções internacionais e problemas internos. A moeda nacional, o rial, desvalorizou-se drasticamente, atingindo 1,4 milhão por dólar em dezembro, desencadeando uma crescente insatisfação popular. Os protestos atuais representam uma oposição direta à teocracia iraniana e também um momento crucial para o movimento liderado pelo príncipe, que busca consolidar sua influência e promover mudanças no regime.