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Brasil
09/01/2026 08:00:00

Célula Criminal Venezuelana Replica Facções Nacionais e Expande Presença no Território Brasileiro

Organização proveniente do sistema penitenciário na Venezuela, Tren de Aragua, amplia suas atividades ao explorar fraquezas locais, com membros confirmados em ao menos seis estados do Brasil

Célula Criminal Venezuelana Replica Facções Nacionais e Expande Presença no Território Brasileiro

Uma organização criminosa originária da Venezuela, que adota estratégias semelhantes às empregadas por facções brasileiras, tem chamado atenção das autoridades de segurança e de peritos.

Conhecida como Tren de Aragua, essa entidade começou suas operações dentro do penitenciário e se sustenta ao manipular indivíduos em situação de vulnerabilidade. Atualmente, a gangue possui integrantes espalhados por pelo menos seis estados do Brasil, sendo a maior concentração em Roraima, que faz fronteira com a Venezuela.

A Polícia Civil de Roraima confirmou a presença de membros do grupo também em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

As ações do grupo reforçam semelhanças com organizações criminosas nacionais como o PCC e o Comando Puro, que também praticam extorsões, tráfico de drogas e outros delitos, muitas vezes sob influência ou conexão com o penitenciário. Leandro Piquet Carneiro, especialista em Relações Internacionais, explica que grupos como o Tren de Aragua geralmente surgem dentro de penitenciárias, recrutando indivíduos vulneráveis que se sentem abandonados ou oprimidos pelo Estado, e que procuram lideranças que prometem proteção e assistência.

Em troca, o grupo exige altos valores, incluindo a prática de crimes graves como sequestros, tráfico de drogas e até homicídios, conforme destacou a desembargadora Ivana David, do Tribunal de Justiça de São Paulo. "Assim como outras organizações ilegais, o Tren de Aragua teve origem no sistema prisional, explorando pessoas de baixa renda sob custódia do Estado, muitas vezes negligenciadas e submetidas a opressões.

Estes indivíduos buscam apoio nessas lideranças, que vendem uma falsa promessa de auxílio às famílias e de proteção", comenta Carneiro.

O especialista também alerta que o custo desse suporte é elevado, envolvendo crimes severos como extorsão, tráfico e atos violentos que, frequentemente, resultam em mortes. A atuação da facção venezuelana ganhou maior notoriedade após o aumento do conflito entre Estados Unidos e Venezuela.

Em setembro do ano passado, o ex-presidente Donald Trump divulgou vídeos de uma operação contra um barco que transportava o que ele chamou de narcoterroristas venezuelanos e drogas, afirmando que a embarcação pertencia ao Tren de Aragua. Além disso, a organização foi citada em denúncias dos EUA contra Nicolás Maduro, que o acusam de facilitar o crescimento dessas redes criminosas.

No entanto, especialistas avaliam que a prisão de Maduro não produzirá mudanças substanciais na atividade do crime organizado na Venezuela. Leandro Piquet Carneiro observa que a relação entre o regime venezuelano e esses grupos é indireta, pois a instabilidade gerada por uma ditadura favorece a expansão de organizações criminosas, incluindo casos de corrupção militar, sem que haja uma parceria formal.

Ele alerta, ainda, que essa situação pode piorar, pois o enfraquecimento institucional provocado por intervenções recentes dificulta a criação de uma estrutura eficiente de combate ao crime.

Por sua vez, Ivana David reforça que a prisão de Maduro não deve alterar o funcionamento das facções na Venezuela. "Com sua detenção e processo judicial, a estrutura do país e a atuação dessas organizações continuarão inalteradas, operando como sempre fizeram", conclui a desembargadora.