Na manhã de terça-feira, Jair Bolsonaro, ex-chefe do Executivo, sofreu uma queda dentro de sua cela e foi encaminhado a uma clínica privada em Brasília para exames que verificassem possíveis lesões na cabeça.
Após avaliação, na tarde de quarta-feira, ele recebeu alta e retornou à sua cela na Delegacia da Polícia Federal, onde cumpre uma sentença de 27 anos por tentativas de golpe de Estado e outros delitos.
O corpo clínico confirmou a presença de trauma craniano, com exames indicando uma leve densificação de tecidos moles na região frontal e na área temporal direita, sem necessidade de intervenção cirúrgica.
O transporte ao hospital foi autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, atendendo a um pedido da defesa do ex-presidente, que apresentou uma lista detalhada de exames essenciais e o local onde deveriam ser realizados. Antes, na terça-feira, Moraes havia negado o deslocamento, alegando um laudo da Polícia Federal que considerava a queda um ferimento leve, recomendando apenas observação.
Contudo, na quarta-feira, o ministro mudou de opinião, ordenando que a Polícia Federal conduzisse de forma discreta a operação de transporte e segurança de Bolsonaro, permitindo seu desembarque na garagem da unidade médica.
A controvérsia também envolveu o Conselho Federal de Medicina (CFM), que solicitou a abertura de uma sindicância para apurar a assistência médica ao ex-presidente, alegando preocupações quanto à qualidade do atendimento.
Moraes rejeitou essa solicitação, declarando que o CFM agiu de forma ilegal e que a investigação deve ser conduzida pela Polícia Federal, além de exigir a apresentação de todos os laudos médicos realizados na quarta-feira.
Após a defesa de Bolsonaro solicitar ao Supremo que ele fosse transferido para uma clínica particular, alegando a urgência de exames como tomografia, ressonância magnética e eletroencefalograma para avaliação neurológica adequada, Moraes inicialmente recusou o pedido.
Depois, autorizou a realização dos procedimentos, mediante a apresentação de um relatório do médico Brasil Ramos Caiado, que reforçou a necessidade de atendimento em um ambiente especializado.
Quanto ao estado de saúde do ex-presidente, Michelle Bolsonaro, esposa de Jair, afirmou em redes sociais que ele havia caído e batido a cabeça enquanto dormia na madrugada de terça-feira.
A Polícia Federal confirmou o incidente, ressaltando que o exame mostrou ferimentos leves e que Bolsonaro não precisou de atendimento de emergência, sendo recomendado apenas monitoramento.
De acordo com o relato da polícia, Bolsonaro disse ter caído da cama após sentir tontura e soluços na noite anterior. Os profissionais de saúde que o examinaram verificaram que sua consciência estava preservada, sem déficits neurológicos, mesmo apresentando uma lesão superficial na face.
A equipe médica foi comunicada oficialmente do ocorrido. Moraes, que inicialmente negou a transferência, solicitou aos advogados do ex-presidente que indicassem exames específicos necessários para determinar a possibilidade de realização dentro do sistema penitenciário.
Os representantes de Bolsonaro anexaram pedidos de tomografia, ressonância e EEG, destacando a importância de procedimentos especializados para uma avaliação neurológica adequada.
Somente na quarta-feira, após a apresentação do parecer médico, Moraes autorizou a transferência de Bolsonaro ao hospital. A tentativa de obter prisão domiciliar por motivos de saúde também foi negada, mesmo após a defesa alegar que o estado de Bolsonaro poderia se agravar em regime fechado.
A família do ex-chefe do Executivo expressou insatisfação, criticando Moraes por alegadas violações constitucionais e advertindo sobre os riscos à integridade física de Bolsonaro ao mantê-lo sob custódia da Polícia Federal.