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Acidente
08/01/2026 20:00:00

Cidadãos da Ucrânia enfrentam crise energética devido a ataques russos durante o inverno

Infraestruturas essenciais são alvo de bombardeios, deixando milhões sem serviços básicos em plena estação fria

Cidadãos da Ucrânia enfrentam crise energética devido a ataques russos durante o inverno

Durante a noite de quinta-feira, quase uma centena de drones russos foram utilizados em ataques direcionados às principais redes energéticas da Ucrânia, agravando ainda mais a crise no país. Moscovo mantém sua estratégia de bombardear instalações críticas em todo o território ucraniano, enquanto negociações para encerrar a guerra continuam em andamento.

As ações militares russas resultaram na interrupção do fornecimento de eletricidade e calor em várias regiões, incluindo Dnipropetrovsk e Zaporíjia, após recentes ataques em massa. Na região de Zaporíjia, situada no sudeste, o corte de energia ocorreu às 22h de quarta-feira, com a recuperação gradual dos serviços elétricos e de aquecimento só começando na manhã de quinta-feira, conforme informou Ivan Fedorov, governador local.

Fedorov destacou que este foi o primeiro apagão total na área nos últimos anos, mas garantiu que equipes de emergência estiveram no local desde o princípio para restabelecer os serviços essenciais. Na vizinha Dnipropetrovsk, a situação permanecia crítica na tarde de quinta-feira, com cerca de um milhão de residentes ainda sem acesso a água potável e aquecimento, segundo Oleksii Kuleba, ministro do Desenvolvimento de Comunidades e Territórios.

Boris Filatov, presidente da Câmara de Dnipro, descreveu o apagão como o mais severo entre todas as cidades ucranianas, mencionando que hospitais locais operam parcialmente com geradores de energia. Filatov acrescentou que a administração municipal prioriza a retomada da energia nas instalações mais críticas, incluindo hospitais, enquanto o transporte público, como o metrô, encontra-se suspenso. As escolas também estenderam suas férias por alguns dias devido à crise.

A regional de Dnipropetrovsk solicitou aos moradores que reduzam o uso de telefonia móvel, pois as estações de base estão operando com baterias de emergência. A maior fornecedora privada de energia na Ucrânia, a DTEK, declarou que suas equipes trabalham ininterruptamente para reparar os danos causados pelos ataques. Segundo a companhia, os esforços de reparo continuam a ser dificultados pelos alertas constantes de ataques aéreos, que obrigam a suspensão das operações e a busca por abrigo.

Os ataques russos ao sistema energético do país, especialmente durante o inverno, têm sido uma constante desde o início da invasão total em 2022. As temperaturas na Ucrânia devem permanecer abaixo de -10°C nos próximos dias, intensificando os riscos e as dificuldades relacionadas à falta de calor e energia. Em meio a esse cenário, Kiev intensificou seus esforços diplomáticos, buscando apoio dos aliados ocidentais na tentativa de conter o conflito causado por Moscovo.

O presidente Volodymyr Zelenskyy pediu aos parceiros internacionais que respondam às ações russas, que ele define como uma forma deliberada de sofrimento ao povo ucraniano, especialmente pelos ataques às infraestruturas civis de energia. Para Zelenskyy, não há justificativa militar para esses ataques que deixam as populações sem eletricidade e aquecimento no inverno, considerando-os uma estratégia de Moscovo de tentar desestabilizar a nação.

O líder ucraniano também reforçou a necessidade de mais suporte na defesa aérea, ao mesmo tempo em que trabalha na busca de soluções diplomáticas para o conflito. Ele afirmou que a ajuda militar e o fornecimento de sistemas de defesa continuam essenciais e que a Ucrânia mantém seus esforços para garantir uma resposta adequada às ações russas, não deixando de buscar a paz por meios diplomáticos.