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LatAm
08/01/2026 02:00:00

Navio de bandeira russa evade bloqueio dos EUA após semanas de perseguição no Atlântico

Interceptação ocorreu após o petroleiro tentar escapar de sanções e mudar de registro para suporte russo; Rússia critica a ação militar americana

Navio de bandeira russa evade bloqueio dos EUA após semanas de perseguição no Atlântico

Na última quarta-feira (07/01), forças militares dos Estados Unidos interceptaram um carregamento de petróleo sancionado que tentava evitar a captura, pouco antes de chegar ao porto venezuelano. Durante quase três semanas, o navio foi monitorado no Atlântico, após fugir de uma abordagem inicial na época do Natal, no Caribe.

O Comando Europeu das forças americanas declarou que o navio, anteriormente conhecido como Bella 1 e com bandeira russa, foi apreendido devido a violações às sanções impostas pelos EUA, como detalhado em uma publicação nas redes sociais. O navio vinha sendo perseguido desde o mês passado, após tentar escapar de um bloqueio norte-americano a embarcações sancionadas na Venezuela.

Conforme o Ministério de Transportes da Rússia, a apreensão do petroleiro no Atlântico foi considerada uma transgressão do direito marítimo internacional. A autoridade russa afirmou que o navio recebeu uma autorização provisória para navegar sob bandeira russa em 24 de dezembro.

Contudo, após o contato com unidades navais americanas, o navio deixou de ser localizado, após abordagem em alto mar, além das águas territoriais de qualquer país. Dados de bases marítimas indicam que a embarcação mudou seu nome para Marinera e passou a registrar-se na Rússia.

Uma confirmação de um oficial norte-americano à Associated Press revelou que a tripulação do navio chegou a pintar uma bandeira russa na lateral do casco. A Rússia manifestou preocupação com as ações dos EUA, que vêm perseguindo petroleiros considerados ilegais, utilizados para movimentar recursos ilícitos, especialmente para sustentar a economia do Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã. O governo russo tomou uma atitude incomum, permitindo o registro de navios no país sem inspeções ou formalidades tradicionais, segundo especialistas ouvidos pelo The Wall Street Journal.

Em resposta à operação, o Ministério do Exterior russo declarou que vinha acompanhando a situação do Marinera com apreensão, ressaltando que há vários dias um navio da Guarda Costeira dos EUA vinha monitorando a embarcação, mesmo estando a cerca de 4 mil quilômetros da costa americana. Ainda na terça-feira, o governo dos EUA confirmou a apreensão de um segundo navio na região do Caribe, o Sophia, controlado também pelas forças americanas.

A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, informou que os dois navios estavam atracados na Venezuela ou a caminho dela, formando uma espécie de 'frota fantasma' de embarcações sancionadas, que transportam petróleo da Rússia, Irã e Venezuela, desafiando as sanções internacionais, principalmente na Ásia.

O incidente ocorre num momento de intensas negociações entre Washington e Moscou, relacionadas à guerra na Ucrânia, e poucos dias após a detenção do líder venezuelano Nicolás Maduro.

A situação pode dificultar as tratativas de paz, visto que a Rússia ainda não aceitou a proposta apresentada pelos Estados Unidos e pelo governo ucraniano. O Comando Sul dos EUA afirmou que permanece preparado para apoiar os aliados na região no combate a embarcações e atores sancionados que transitam pelo Caribe e as Américas, sem mencionar a presença de um submarino russo.

Enquanto isso, o presidente Donald Trump revelou planos de refinar e comercializar até 50 milhões de barris de petróleo que estavam retidos na Venezuela devido ao bloqueio norte-americano.