A Doença de Newcastle (DNC) é uma infecção viral altamente contagiosa que atinge tanto aves domésticas quanto silvestres. Sua origem está relacionada a várias cepas do vírus Paramyxovírus Aviário tipo 1 (APMV-1).
No território brasileiro, a vigilância e o controle dessa enfermidade são obrigatórios, pois ela pode acarretar prejuízos econômicos consideráveis na produção de ovos e carne de aves. Apesar de priorizar a saúde animal, a DNC é classificada como uma zoonose, ou seja, uma condição transmissível de animais para humanos.
Entretanto, especialistas ressaltam que as infecções humanas geralmente apresentam sintomas leves e não representam uma ameaça grave à saúde pública. Em 2024, o Brasil confirmou um caso de DNC na cidade de Anta Gorda, localizada no estado do Rio Grande do Sul.
O vírus chamou atenção internacional devido à sua rápida disseminação e impacto econômico. A transmissão para humanos ocorre sobretudo pelo contato direto com aves infectadas ou suas secreções. Os sintomas mais frequentes em pessoas expostas incluem conjuntivite transitória, que pode afetar um ou ambos os olhos.
Normalmente, esses sinais surgem até 24 horas após o contato com o vírus, apresentando-se com lacrimejamento intenso e inchaço nas pálpebras. Em casos raros, há relatos de sintomas parecidos com os da gripe, como febre e sensação de mal-estar, embora as informações técnicas enfatizem a manifestação ocular como principal sintoma.
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) garante que a carne e os ovos de aves passam por inspeções rigorosas, tornando seu consumo seguro para o público. A transferência do vírus por alimentos cozidos ou processados é considerada improvável, especialmente quando os produtos possuem o selo do Serviço Veterinário Oficial (SVO), que atesta sua conformidade sanitária.
Para o setor agropecuário, a DNC representa uma ameaça grave devido à sua elevada taxa de mortalidade entre as aves e ao impacto imediato na produção. Em julho de 2024, uma ocorrência isolada da doença foi identificada em Anta Gorda, levando o governo federal a estabelecer uma emergência zoossanitária.
Após ações de vigilância e contenção, confirmaram-se a ausência de novos casos, o que levou à suspensão do estado de emergência em agosto do mesmo ano. Essas medidas reforçam a condição do Brasil como uma área livre da doença, de acordo com os padrões internacionais de saúde animal.