Na manhã seguinte aos ataques, Cuba revelou oficialmente que 32 de seus militares perderam a vida durante uma operação de combate que ocorreu na Venezuela, segundo informações divulgadas pelo governo cubano.
A declaração oficial veio após quase quarenta e oito horas do incidente, que ocorreu na madrugada de 3 de janeiro de 2026. O Ministério do Interior de Cuba publicou uma nota nas redes sociais, detalhando que as baixas ocorreram por conta de uma ofensiva coordenada pelo governo norte-americano contra a República Bolivariana da Venezuela.
A nota afirma que os soldados cubanos estavam desempenhando tarefas em apoio às forças armadas venezuelanas e ao Ministério do Interior sob solicitação de autoridades locais. Segundo o documento, durante o confronto, os 32 cubanos perderam suas vidas em combate direto ou devido a bombardeios nas instalações militares venezuelanas. O texto também informa que o comandante Raúl Castro Ruz, líder da Revolução Cubana, já havia enviado condolências às famílias dos falecidos.
A trajetória de cooperação entre Havana e Caracas remonta ao início do mandato de Hugo Chávez, quando assessores cubanos passaram a atuar em áreas como saúde e educação. Com o passar dos anos, o controle de inteligência, contraespionagem e segurança presidencial na capital venezuelana foi assumido por Cuba, que consolidou sua influência no país.
No período de sua presidência, Nicolás Maduro denunciou várias tentativas de assassinato contra si, levando à implementação de uma linha de segurança composta por uma Guarda de Honra Presidencial.
Esta força especial, formada por seguranças venezuelanos e cubanos, passou por mudanças após as eleições de 28 de julho de 2014, que resultaram na reestruturação da equipe de proteção do líder chavista.
O general Javier José Marcano Tabata assumiu a chefia da unidade, substituindo Iván Hernández Dala, que liderava a segurança de Maduro por quase uma década. O governo cubano, em sua declaração oficial, omitiu detalhes específicos sobre os militares mortos, embora as famílias tenham recebido previamente mensagens de condolências do próprio líder cubano, Raúl Castro.
A nota destacou que os soldados demonstraram coragem e heroísmo, resistindo até o fim na luta contra os atacantes ou durante os bombardeios às bases militares. O presidente de Cuba, Miguel Días-Canel, manifestou seu pesar pelas mortes dos compatriotas e decretou dois dias de luto nacional a partir de segunda-feira. Em suas redes sociais, ele homenageou os soldados e condenou a ação, acusando os invasores de sequestrar e expulsar ilegalmente o presidente venezuelano e sua esposa, usando suas vidas como escudo para proteger o povo local.
Enquanto isso, o silêncio permanece em relação às vítimas venezuelanas, militares ou civis, decorrentes dos ataques realizados pelos EUA. O governo de Delcy Rodríguez não divulgou informações oficiais ou números de feridos nas operações militares que atingiram diversas instalações na capital Caracas e nos estados de La Guaira, Miranda e Aragua.
O ministro da Defesa, Vladimir Padrino, em rápida declaração após o ataque, confirmou que estavam sendo coletadas informações sobre vítimas, mas não forneceu detalhes adicionais. Relatos de dois sargentos feridos durante os ataques foram veiculados por veículos aliados ao governo, enquanto fontes não oficiais sugerem que o número de mortos pode chegar a 80, segundo o jornal New York Times.