No dia 4 de janeiro de 2026, às 11h48, foi anunciada a seleção de instituições de ensino públicas do estado de Alagoas que terão a oportunidade de participar da FEBRACE, a principal feira de iniciação científica do Brasil. Este evento de destaque acontece anualmente na Universidade de São Paulo (USP), na cidade de São Paulo, onde estudantes de diferentes regiões do país apresentam propostas inovadoras relacionadas aos temas de sustentabilidade, tecnologia e saúde.
Duas escolas estaduais alagoanas tiveram seus trabalhos classificados entre os finalistas. A Escola Estadual Professora Benedita de Castro Lima, de Maceió, e a Escola Estadual Fernandina Malta, de Rio Largo, estão entre os projetos selecionados, que foram desenvolvidos no ambiente escolar, com foco em áreas estratégicas de pesquisa.
A conquista possibilita às equipes a participação na exposição nacional promovida pela FEBRACE, que fomenta a troca de experiências entre estudantes de diversas regiões brasileiras, estimulando a troca de conhecimentos científicos na Educação Básica e Técnica. De um total de mais de três mil trabalhos inscritos, 255 projetos de todo o país foram aprovados.
Na região, além das escolas de Alagoas, instituições como o Instituto Federal de Alagoas (IFAL), com unidades em Maceió e Murici, e a Escola Sesi de Educação Básica Industrial Abelardo Lopes, também de Maceió, tiveram propostas selecionadas, totalizando cinco trabalhos finalistas no estado.
Um dos projetos que representam a educação alagoana na feira é desenvolvido pela Escola Estadual Fernandina Malta. Sob a orientação do professor Cássio Fagundes, a iniciativa nasceu na disciplina eletiva de Robótica, que foi inspirada na trajetória da renomada psiquiatra Nise da Silveira. Essa proposta conquistou a medalha de ouro na categoria Robótica durante o Encontro Estudantil da Rede Estadual de Alagoas, realizado em novembro, o que contribuiu para sua classificação na FEBRACE na USP.
Fagundes explica que o objetivo foi criar um protótipo com uma abordagem humanista, alinhada à filosofia de Nise, visando auxiliar tratamentos psicológicos e terapêuticos de maneira respeitosa. Anderthon Cristian da Silva Moura, estudante participante, relata que a tecnologia foi desenvolvida para apoiar pessoas com dificuldades cognitivas, físicas ou mentais, operando por comando de voz e utilizando jogos cognitivos que estimulam funções cerebrais.
Ele demonstra entusiasmo ao falar sobre a experiência única que está vivendo. “Nunca tive uma oportunidade assim. Ver uma iniciativa de uma escola menor alcançar reconhecimento nacional é extremamente gratificante. Sinto que estamos cumprindo uma missão”, afirma.
Por outro lado, a Escola Professora Benedita de Castro Lima enviou o projeto Canaplast, que inovou ao reutilizar o bagaço da cana-de-açúcar na fabricação de bioplástico biodegradável. O professor orientador, Felipe Rodrigues, explica que a ideia surgiu após pesquisas realizadas na própria instituição, utilizando resíduos agrícolas que normalmente seriam descartados.
Rodrigues destaca que o bioplástico produzido possui resistência ao calor e baixa solubilidade em água, ampliando suas possibilidades de aplicação. Rodrigo Medeiros Silva, aluno responsável pelo projeto, afirma que a matéria-prima é a celulose extraída do bagaço, que se decompõe em cerca de dois meses, enquanto um plástico convencional leva aproximadamente 400 anos para se degradar. O projeto também conta com bolsas de iniciação científica financiadas pela Fapeal, por meio do programa Pibic Jr.
Desde 2003, a FEBRACE atua como uma plataforma nacional que incentiva a pesquisa nas áreas de Ciências e Engenharia, estimulando estudantes e professores da Educação Básica e Técnica a desenvolverem soluções inovadoras e promovendo o avanço da cultura científica no Brasil.