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Brasil
04/01/2026 00:00:00

Amazonas registra queda histórica de focos de calor em 2025, redução de 82%

Diminuição expressiva é atribuída a fatores climáticos, fiscalização reforçada, investimentos ambientais e interiorização do Corpo de Bombeiros

Amazonas registra queda histórica de focos de calor em 2025, redução de 82%

Em 2025, o Amazonas detectou um total de 4.545 pontos de calor, representando uma redução de 82% em comparação aos 25.499 registrados em 2024. Esse percentual de declínio configura a maior diminuição já registrada pelo estado desde o início das medições do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em 1998.

Uma das razões que explicam essa significativa redução é o fato de que 2024 foi um ano atípico. Nesse período, o Amazonas atingiu um recorde negativo de focos de calor, em meio à maior seca já observada na região amazônica e à forte influência do fenômeno El Niño, que diminui a quantidade de chuvas. Como o nível de focos em 2024 foi excepcionalmente alto, a comparação com 2025 revelou uma queda mais acentuada.

O secretário de Meio Ambiente, Eduardo Taveira, aponta que a redução nas queimadas também está parcialmente relacionada a condições climáticas mais favoráveis. Ele destacou que, durante 2024, o estado experimentou períodos de chuvas mais prolongados, inclusive no verão amazônico de 2025, que foi marcado por um aumento na incidência de precipitações.

Além do clima, Taveira ressaltou o papel do Corpo de Bombeiros, cuja estrutura interiorizada passou a cobrir mais de 90% das cidades que apresentaram os maiores picos de calor em 2024 e 2025, incluindo o sul do Amazonas, a região da BR-319 e grande parte da área metropolitana.

Em relação aos investimentos, o governo federal destinou R$ 45 milhões ao Corpo de Bombeiros via Fundo Amazônia, com o suporte do banco alemão KFW, parceiro estratégico do Amazonas.

A redução de 82% registrada pelo estado está acima da média nacional. Enquanto o Brasil reduziu seus focos de 278.229 em 2024 para 136.248 em 2025 (queda de 51%), a região Norte passou de 125.529 para 40.922 casos, uma diminuição de 67%.

Olavo Angiolis, presidente do Fórum de Secretários Municipais de Meio Ambiente do Amazonas (Fopes-AM), atribui esse bom desempenho não só às condições climáticas, mas também ao esforço de conscientização nas cidades e às alternativas agrícolas sustentáveis adotadas.

Segundo ele, ações como a recuperação de áreas degradadas, a mecanização da agricultura e o incentivo à agricultura familiar têm contribuído para a diminuição das queimadas e do desmatamento.

Ainda, Angiolis destacou que a realização da Conferência das Partes (COP 30) em Belém estimulou um maior engajamento regional na busca por resultados positivos na preservação ambiental, assim como a campanha pesada vinculada ao evento, que reforçou a importância da conservação na Amazônia.

Para manter o padrão de redução, ele recomenda que os governos ampliem programas de apoio à agricultura de pequeno porte e à mecanização de áreas degradadas, promovendo uma maior preservação ambiental e combate ao desmatamento.

Nos anos anteriores, cidades como Manaus e outras do interior enfrentaram dificuldades severas por causa das queimadas e do clima seco, especialmente em 2023 e 2024. Nesse período, a capital amazonense esteve coberta por dias seguidos de fumaça, e o aplicativo Selva, criado pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), indicava uma qualidade do ar extremamente precária.

Porém, em 2025, mesmo durante o verão, o clima voltou ao normal, favorecendo a recuperação de áreas antes afetadas pela seca ou pelo fogo. Desde agosto, essa tendência se consolidou, com o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) apontando uma queda de 86,31% nos focos de calor em relação ao mesmo período de 2024, passando de 6.879 para apenas 942 ocorrências.

O governo estadual atribui esses avanços ao estabelecimento de novos Grupamentos Integrados de Combate a Incêndios e Proteção Civil (GCIPs), ao monitoramento em tempo real e ao aumento na fiscalização.

Até o final de 2025, as bases do Corpo de Bombeiros aumentaram de 11 para 32 unidades em todo o território, um crescimento de 190%, com a instalação de 11 novas unidades em municípios estratégicos como Tapauá, Rio Preto da Eva, Novo Aripuanã, Maués, Lábrea, Manaquiri, Autazes, Jutaí, Coari, Apuí e Itapiranga. A meta para 2026 é ampliar para mais seis bases.

Na esfera federal, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, através do Ibama, liderou operações de fiscalização que resultaram na aplicação de mais de R$ 91 milhões em multas por desmatamento ilegal e queimadas, além do embargo de aproximadamente 16,4 mil hectares de floresta, concentrando esforços principalmente na região sul do Amazonas, considerada o epicentro desses problemas.

Definição de foco de calor
Segundo o Inpe, foco de calor é um ponto detectado por satélites na superfície terrestre com temperatura superior a 47°C, indicando presença de fogo ou uma área extremamente aquecida. Essas áreas podem originar-se de queimadas agrícolas, renovação de pastagens ou do intenso calor solar.