Desde o último domingo (28/12), o Irã vive uma escalada de protestos que já dura cinco dias, marcados por confrontos violentos que resultaram na morte de pelo menos seis indivíduos. As manifestações, inicialmente motivadas pela queda do valor da moeda nacional, se espalharam por diversas regiões do país, incluindo a cidade de Lordegan, no sudoeste, onde relatos indicam vítimas em confrontos entre civis e forças de segurança.
Segundo informações da agência de notícias semi-oficial Fars, além de Lordegan, ocorreram mortes em Azna e Kouhdasht, ambas localizadas na parte oeste do Irã. O grupo de direitos humanos Hengaw identificou dois manifestantes mortos em Lordegan, nomeando-os como Ahmad Jalil e Sajjad Valamanesh, embora a BBC Persia não tenha conseguido confirmar essas informações de forma independente. Durante os protestos, vídeos divulgados nas redes sociais mostraram veículos incendiados e atos de violência generalizada.
Muitos dos envolvidos clamam pelo fim do governo do líder supremo, enquanto outros defendem a volta da monarquia no país. Na quarta-feira (31/12), o governo iraniano declarou feriado nacional, alegando a necessidade de economizar energia devido às temperaturas baixas, mas a medida também foi vista por muitos como uma estratégia para conter as manifestações.
Nesse dia, escolas, universidades e órgãos públicos permaneceram fechados, e os protestos ganharam força em cidades como Teerã, Marvdasht e Lordegan. As forças de segurança relataram que, em Kouhdasht, um policial da Guarda Revolucionária morreu em um confronto na noite do dia 31, embora a BBC não tenha conseguido verificar essa informação. Por outro lado, há relatos de que um agente foi morto por civis, e que pelo menos 13 policiais ficaram feridos após serem atingidos por pedras na região.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alertou as autoridades iranianas contra a repressão violenta aos manifestantes pacíficos, prometendo que Washington interviria se o governo iraniano continuasse com ações de força. Em uma publicação na rede social Truth Social, Trump afirmou:
"Se o Irã disparar e matar manifestantes pacíficos, como é comum, os EUA irão ao seu resgate". Ele, contudo, não detalhou que tipo de resposta militar ou diplomática os EUA poderiam aplicar. A resposta do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, veio por meio de um assessor próximo, que advertiu Trump a ter cautela, alertando para o risco de uma crise que poderia se espalhar pelo Oriente Médio. O funcionário afirmou que a intervenção estrangeira na questão interna iraniana poderia desestabilizar toda a região e prejudicar os interesses americanos.
Ao longo do dia, novas tensões emergiram em diversas cidades do país, com relatos de tumultos e violência. As forças de segurança intensificaram a presença nas áreas de protesto para tentar evitar uma escalada maior, enquanto o governo reforçou a repressão e anunciou que qualquer tentativa de criar instabilidade será respondida de forma contundente. As manifestações tiveram início na capital Teerã, motivadas por uma forte desvalorização da moeda, que causou impacto direto na economia e na vida cotidiana dos iranianos.
Jovens universitários se juntaram aos protestos na terça-feira (30/12), entoando cânticos contra o regime religioso do país. Este movimento é considerado o mais expressivo desde as revoltas de 2022, desencadeadas pela morte de Mahsa Amini, uma jovem detida por supostamente não usar o véu de modo adequado. Autoridades, por sua vez, aumentaram o aparato de segurança nas áreas onde os protestos começaram e reforçaram as ações repressivas.
O chefe do governo, Masoud Pezeshkian, declarou que o país atenderá às "demanda legítima" dos manifestantes, enquanto o procurador-geral, Mohammad Movahedi-Azad, advertiu que qualquer tentativa de desestabilizar o país será enfrentada com uma "resposta forte", reforçando o clima de tensão que permeia o território iraniano.