11/01/2026 23:19:15

Acidente
02/01/2026 07:00:00

Braskem planeja negociar sua dívida em 2026 para evitar inadimplência

Empresa busca evitar calote e lidar com passivos ambientais após impactos do solo em Maceió

Braskem planeja negociar sua dívida em 2026 para evitar inadimplência

À medida que a gestão da Braskem passa por uma transição para a IG4 Capital, a companhia está tomando medidas para impedir um default de aproximadamente US$ 140 milhões referentes aos juros de seus títulos de dívida internacional, conhecidos como bonds.

Além disso, a petroquímica está elaborando um relatório detalhado sobre sua responsabilidade ambiental, incluindo os prejuízos ocasionados pelo deslizamento do solo em Maceió, que afetou pelo menos cinco bairros da cidade. Essa análise será apresentada aos novos responsáveis pela administração da empresa, que também irão participar de negociações planejadas para 2026 com os investidores que detêm esses títulos, um grupo de credores que será representado por um comitê de negociação em formação. As conversas terão início no começo de janeiro, com uma reunião preliminar de um grupo 'ad hoc' de detentores de títulos.

O primeiro pagamento de vencimento está programado para 10 de janeiro. Caso a Braskem não realize o pagamento, ela ficará em situação de inadimplência, com um período de 30 dias para regularizar sua dívida antes que todas as obrigações sejam aceleradas.

A dívida total da empresa alcança US$ 8,4 bilhões, com um prazo médio de quitação de nove anos. A decisão entre utilizar seus recursos disponíveis durante essa fase de transição financeira ou optar pelo default ainda está em discussão. Fontes próximas ao tema informaram que, até o momento, a hipótese de não pagamento, considerada em novembro, ainda não foi descartada, embora a alternativa de renegociação continue sendo a preferência.

Recentemente, o assunto ganhou destaque na imprensa paulista, que revelou que uma parcela significativa dos credores já considera o calote uma possibilidade concreta, especialmente diante da escassa liquidez da companhia e da falta de um diálogo mais favorável com a IG4, que foi contratada pelos bancos que financiam a Novonor (antiga Odebrecht) para assumir a gestão da participação na Braskem. Essa reestruturação, contudo, só ocorrerá após a transferência de ações e a ratificação do acordo de acionistas com a Petrobras, acionista principal da petroquímica.

Segundo informações obtidas pela Coluna Boardcart, as primeiras negociações serão conduzidas pela assessoria financeira Lazard, acompanhada pelos escritórios de advocacia E. Munhoz e Cleary Gottlieb.

A parceria com a Petrobras prevê que a IG4 Capital será responsável pela administração financeira da Braskem, assim como pela reestruturação de seu passivo e da sua estrutura societária. Ainda há muitas dúvidas entre os credores sobre como o processo será conduzido a partir de janeiro, apontaram fontes do setor.

Alguns investidores, detentores de títulos, esperam que a empresa não realize o pagamento dos juros de janeiro, embora reconheçam que acelerar o pagamento não faria sentido, já que a estratégia da IG4 é transformar a situação financeira da petroquímica. Procurada, a Braskem preferiu não emitir declarações, nem confirmar nem negar as informações veiculadas sobre o tema.