Uma tragédia de proporções alarmantes ocorreu na estação de esqui de Crans-Montana, na Suíça, na madrugada desta quinta-feira (1º/1), resultando na morte de pelo menos 40 pessoas e no atendimento a 115 vítimas feridas, conforme informações da polícia local.
O incidente aconteceu por volta de 1h30, horário da região (21h30 de Brasília), no bar Le Constellation, onde uma comemoração de Ano Novo estava em andamento, quando as chamas se espalharam rapidamente, deixando cenas de destruição e pânico.
As autoridades suíças ainda não determinaram o número exato de pessoas presentes no momento da calamidade, uma questão que será esclarecida durante as investigações em andamento.
O chefe do governo regional do cantão de Valais, Mathias Reynard, afirmou que há um número considerável de feridos em estado grave, alertando que a identificação das vítimas, tanto as mortais quanto as que ainda estão hospitalizadas, vai demandar tempo, embora reconheça que essa espera seja "insuportável".
Entre os feridos, um jogador da categoria juvenil do clube francês FC Metz está incluído. Tahirys dos Santos, de 19 anos, foi transferido para um hospital na Alemanha após sofrer queimaduras severas, segundo informações do próprio clube.
O presidente suíço Guy Parmelin classificou o episódio como uma das maiores tragédias já enfrentadas pelo país, descrevendo o incêndio como um "drama de escala desconhecida" e destacando que alguns dos feridos sofreram queimaduras de alta gravidade. Ainda na noite do incidente, testemunhas relataram que a origem do fogo teria sido uma vela colocada muito próxima ao teto de madeira do local, que rapidamente incendiou toda a estrutura.
Duas turistas francesas, Emma e Albane, contaram ao canal BFMTV que, enquanto comemoravam o Ano Novo, viram as chamas se alastrando após uma vela ser colocada em uma garrafa de champanhe e ficar próxima ao teto. Imagens do bar, disponíveis em um vídeo promocional de maio de 2024, mostram o interior do Le Constellation, que é considerado uma verdadeira instituição na região.
No segundo andar, há uma área com televisores onde as pessoas costumam assistir jogos de futebol, enquanto o piso inferior serve como um ponto de encontro para quem bebe e dança. Durante a evacuação, as dificuldades foram evidentes: a rota de fuga era estreita, e a escada de saída ainda mais limitada, dificultando a saída de aproximadamente 200 pessoas em poucos segundos, conforme relatos.
Um homem que conseguiu escapar quebrou uma janela ao perceber o perigo, pois a fumaça dificultava a visão e os incêndios avançavam rapidamente, deixando vítimas queimadas e desorientadas. Segundo testemunhas, a fumaça se espalhou de forma intensa, tornando quase impossível distinguir o caminho de saída. Algumas pessoas ficaram presas no interior, e uma delas, ao falar com a agência AFP, explicou que precisou quebrar uma janela para escapar do fogo que consumia o local.
Outro relato veio de um jovem de 21 anos, que, ao chegar ao lado de fora, viu pessoas queimadas e em estado crítico, descrevendo o forte odor de gases e plástico derretido no ar. Ele afirmou que muitos ainda estavam presos dentro do bar e que a quantidade de vítimas era assustadora.
A equipe de resgate mobilizou 42 ambulâncias e 13 helicópteros para atender às vítimas, que foram encaminhadas a hospitais em Valais, Zurique, Lausanne e outros centros. França e Itália ofereceram apoio com unidades especializadas no tratamento de queimaduras, tendo recebido ao menos três e duas vítimas, respectivamente. A diretora do Hospital Universitário de Lausanne, Claire Charmet, revelou que 22 pacientes, com idades entre 16 e 26 anos, estão sob cuidados intensivos, destacando que o processo de recuperação será longo e complexo, podendo durar semanas ou meses.
Ainda não há informações definitivas sobre o risco de morte de algum deles. As autoridades locais confirmaram que estão trabalhando para identificar todas as vítimas fatais e acelerar a devolução dos corpos às famílias o mais breve possível. Até o momento, aproximadamente 60 pessoas continuam recebendo tratamento no hospital de Sion.
A investigação inicial descarta a hipótese de ataque criminoso, focando na hipótese de um incêndio acidental, possivelmente causado por fogos de artifício ou velas, embora a origem exata ainda seja desconhecida.
A polícia de Valais abriu um inquérito para esclarecer as circunstâncias do sinistro, que já entrou para a lista das piores tragédias envolvendo estabelecimentos de entretenimento na história da Suíça. Essa tragédia soma-se a outros episódios trágicos em locais de aglomeração, como o incêndio na boate Pulse, na Macedônia do Norte, em 2025, que causou 63 mortes, e o incêndio na boate de Goa, na Índia, no mesmo ano, que resultou na perda de 25 vidas.
Outros exemplos incluem o desabamento de uma casa de shows em Santo Domingo, que deixou 232 vítimas em 2019, e o incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, no Brasil, que matou 242 pessoas em janeiro de 2013, além de tragédias na Rússia, Romênia, e Argentina, todos ligados a incêndios causados por fogos de artifício ou sobrecarga de estruturas.