Ao concluir o Ensino Médio, adolescentes muitas vezes se deparam com uma fase de indecisão, refletindo sobre qual direção tomar: ingressar na universidade, optar por cursos técnicos ou adentrar no mercado de trabalho.
Essa fase de transição é marcada por uma ansiedade natural, devido às novas responsabilidades e ambientes que surgem nesse período de mudança.
Segundo Ana Claudia Favano, gerente da Escola Internacional de Alphaville, situada em Barueri (SP), as principais alternativas após a conclusão do ensino médio incluem o ingresso em cursos de graduação, programas técnicos e profissionalizantes, intercâmbios acadêmicos ou culturais, experiências de trabalho iniciais e projetos de empreendedorismo.
Para Favano, a escolha mais adequada deve partir de uma avaliação criteriosa do perfil e interesses de cada estudante. "Refletir sobre o que deseja desenvolver a curto e médio prazo, seja aprofundamento acadêmico, prática profissional ou crescimento pessoal, ajuda a tomar decisões mais alinhadas com a própria realidade", ela explica. Gabriel Pedrozo, de 17 anos, que recentemente terminou o ensino médio, planeja seguir a trajetória do pai e ingressar na área técnica.
Ele pretende cursar Técnico em Eletrotécnica na Fatec de Catanduva (SP), visando trabalhar na empresa familiar. "Quero fazer um curso técnico de eletricista industrial na Fatec e, após, entrar no mercado de trabalho", afirma.
O jovem destaca que, embora o curso técnico tenha duração de dois anos, ainda pensa em cursar uma graduação futuramente. "A faculdade é algo fundamental, mas minha decisão foi tomada com o apoio da família.
Meu objetivo agora é atuar profissionalmente e, posteriormente, buscar um diploma superior", acrescentou. Fernanda Silveira, coordenadora pedagógica do colégio Progresso Bilíngue, salienta a importância do envolvimento dos responsáveis na orientação dos adolescentes.
"Pais e responsáveis desempenham papel fundamental ao manterem um diálogo aberto, oferecendo apoio emocional e respeitando as dúvidas dos jovens. Evitar comparações com irmãos ou colegas e compreender que cada percurso tem seu ritmo são atitudes essenciais", ela reforça. Para Silveira, apoiar o estudante não significa controlar suas escolhas, mas ajudá-lo a refletir e a adquirir confiança durante o processo.
Por outro lado, Gabriel Fagundes, de 19 anos, iniciou sua trajetória empresarial ainda na fase escolar, ao abrir uma loja de suplementos. Após concluir o ensino médio, fundou uma empresa de marketing voltada a impulsionar negócios de empreendedores. Ele explica que a decisão de entrar no mercado de trabalho de forma autônoma veio de uma reflexão sobre seus sonhos. "Sempre quis ser policial militar, mas também desejava construir uma marca própria e alcançar independência financeira.
Percebi que seguir uma carreira militar comprometeria esses objetivos, então resolvi optar por um caminho baseado na razão e na iniciativa própria", revela. De acordo com Audrey Taguti, diretora pedagógica da Brazilian International School, as escolhas feitas ao término do ensino médio não precisam ser definitivas. "Mostramos trajetórias reais, evidenciando que muitas pessoas mudaram de curso ou área ao longo da vida.
É fundamental compreender que a primeira decisão é apenas um ponto de partida, não uma sentença fixa", explica. Ela destaca que debates sinceros sobre a dinâmica do mercado de trabalho, que está em constante transformação, ajudam os jovens a entenderem a importância de flexibilidade e aprendizagem contínua.
Assim, ao perceberem que podem ajustar suas rotas durante o amadurecimento, a decisão deixa de ser um peso e passa a ser uma oportunidade de crescimento e construção de um projeto de vida mais sólido."