A China anunciou, na noite desta sexta-feira (31), a suspensão total das importações de aves e produtos aviários brasileiros, após a confirmação de um foco de gripe aviária altamente patogênica (H5N1) em uma granja localizada em Montenegro, no Rio Grande do Sul. A medida foi divulgada por meio de um comunicado oficial da Administração Geral das Alfândegas e do Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China.
Segundo o aviso, a proibição inclui produtos não processados e processados que possam representar risco de transmissão da doença, além de vedar o transporte desses itens por meios aéreos, marítimos ou terrestres. O texto também determina a devolução ou destruição de qualquer produto aviário brasileiro interceptado no território chinês, mesmo que tenha ingressado de forma indireta. Todos os resíduos e restos oriundos do Brasil descarregados por navios e aeronaves também devem ser neutralizados sob vigilância das autoridades aduaneiras.
O surto foi comunicado pelo governo brasileiro em 16 de maio, após detecção do vírus em uma granja comercial. As autoridades sanitárias do país adotaram os protocolos de contenção previstos no Plano Nacional de Contingência, com isolamento do foco e sacrifício das aves afetadas. Desde então, novos casos não foram confirmados, embora haja oito suspeitas em investigação, inclusive nos estados de São Paulo e no Distrito Federal.
A China foi um dos primeiros países a adotar medidas contra a carne de frango brasileira após a notificação do surto. Outros países, como Argentina e membros da União Europeia, também tomaram ações semelhantes.
Até o momento, o Itamaraty e o Ministério da Agricultura e Pecuária ainda não se manifestaram oficialmente sobre a nova decisão chinesa, que poderá afetar significativamente a balança comercial do setor aviário brasileiro, já que a China figura entre os maiores compradores da carne de frango do país.
O comunicado chinês enfatiza que qualquer violação às determinações será tratada de acordo com leis rigorosas de biossegurança, quarentena e controle aduaneiro, e ordena que todas as autoridades alfandegárias e agrícolas do país atuem de forma coordenada para impedir a entrada do vírus.