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Acidente
08/06/2024 22:00:00

RS: Tragédia completa 40 dias com mais de 600 mil gaúchos fora de casa

Evento climático é uma das maiores tragédias já registradas no estado


 RS: Tragédia completa 40 dias com mais de 600 mil gaúchos fora de casa

ultimosegundo.ig.com.br

Desde o dia 29 de abril, o  Rio Grande do Sul enfrenta uma crise climática que já afetou a vida de mais de 2 milhões de gaúchos. Segundo dados da Defesa Civil, 476 dos 496 municípios tiveram estragos causados pelas chuvas, resultando em mais de 800 feridos e 172 óbitos. Mais de 600 mil pessoas ainda estão fora das suas casas, sendo 30.442 em abrigos e 572.781 em casas de parentes e amigos.

Este evento climático é uma das maiores tragédias já registradas no estado, superando inclusive o ciclone extratropical do ano passado, que causou 53 mortes.

Medidas antes do colapso

Em 2019, o governo do Rio Grande do Sul alterou 480 pontos do Código Ambiental do estado, flexibilizando exigências e, consequentemente, enfraquecendo a proteção ambiental.

O projeto, apresentado pelo governo de Eduardo Leite e aprovado pela Assembleia Legislativa com 37 votos favoráveis de um total de 55, permitiu a supressão parcial ou total de matas ciliares e áreas de formação vegetal defensivas à erosão de encostas. Essas áreas são cruciais para impedir enchentes e deslizamentos.

Na capital Porto Alegre, sob a gestão do prefeito Sebastião Melo (MDB), as inundações deste ano foram exacerbadas pela desativação de 19 das 23 bombas dos sistemas de contenção de cheias.

Além disso, o Departamento Municipal de Água e Esgotos sofreu uma redução no número de funcionários, de 2.108 em 2013 para 1.738 em 2017, o que comprometeu a capacidade de resposta da cidade às inundações.

Alertas antecipados

O primeiro alerta para chuvas intensas foi emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) no dia 26 de abril. No dia seguinte, a empresa de meteorologia MetSul destacou o risco de condições climáticas severas.

Em 28 de abril, a MetSul alertou para a possibilidade de alagamentos semelhantes aos de 2023. A Defesa Civil do Rio Grande do Sul também emitiu alertas no mesmo dia, e o governador Eduardo Leite divulgou um vídeo, em 29 de abril, advertindo sobre a gravidade da situação.

Apesar dos alertas, as recomendações para evacuação das áreas afetadas e os planos de contingência só foram implementados nos dias seguintes, quando as chuvas já haviam causado danos significativos.

As operações no Aeroporto Salgado Filho foram interrompidas, com aviões sendo desviados para Florianópolis devido às condições climáticas adversas.

Declaração de calamidade pública

Em 1º de maio, o governo do Rio Grande do Sul declarou estado de calamidade pública , quando o estado já registrava pelo menos dez mortes e 21 desaparecidos. Eduardo Leite reconheceu a gravidade do desastre, chamando-o de "maior desastre da história" do estado em termos de danos materiais.

O governador defendeu a resposta do governo às acusações de demora na emissão de alertas e na evacuação, afirmando que as medidas foram implementadas conforme necessário, com base nas informações disponíveis na época.

Causas das chuvas intensas

As chuvas no Rio Grande do Sul foram causadas por uma combinação de fatores climáticos, incluindo a presença de uma massa de ar quente sobre a região central do país, que bloqueou a frente fria na área Sul.

Isso gerou instabilidade e chuvas intensas e prolongadas no estado, conforme relatado pela Climatempo. O fenômeno El Niño, que eleva a temperatura das águas do Oceano Pacífico, também contribuiu para a persistência das condições instáveis.

Além disso, o  aquecimento global tem aumentado tanto a frequência quanto a intensidade dos fenômenos climáticos, agravando ainda mais a situação.

Questões políticas

As tempestades e suas consequências levaram a um debate político sobre a realização das eleições municipais, com alguns grupos políticos defendendo o adiamento do pleito.

Prefeitos que buscam a reeleição temem que a tragédia seja usada por opositores para criticar suas gestões, influenciando os eleitores a optarem por mudanças. No entanto, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS) já informou que não haverá adiamento das eleições.

O governo federal nomeou Paulo Pimenta (PT-RS) como ministro da Secretaria Extraordinária da Presidência da República de  Apoio à Reconstrução do Rio Grande do Sul.

A escolha foi criticada por aliados do governador Eduardo Leite, que acusam Pimenta de usar o cargo para se promover politicamente visando uma candidatura ao governo do estado em 2026.

Aliados do presidente Lula, no entanto, afirmam que Edegar Pretto (PT-RS) é o preferido para disputar o governo gaúcho, enquanto Pimenta deverá concorrer ao Senado.

Assistência do Governo Federal

Desde o início da tragédia, o governo federal liberou R$ 85 bilhões para a reconstrução e assistência às famílias afetadas. As medidas incluem a liberação do FGTS aos trabalhadores e o pagamento do abono salarial.

Até o momento, 43,5 mil profissionais foram mobilizados para ajudar a região, com 13 hospitais de campanha instalados e mais de 1,1 mil toneladas de alimentos doados e adquiridos.

Ações de reconstrução

Durante sua visita ao Rio Grande do Sul na última quinta-feira (6),  o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) verificou as ações de recuperação nas regiões mais afetadas pelas inundações, no Vale do Taquari.

Ele foi recepcionado por prefeitos, deputados e lideranças locais em Cruzeiro do Sul e Arroio do Meio. Lula fez anúncios de apoio financeiro e realizou assinaturas de medidas provisórias, incluindo o pagamento de suas parcelas do salário mínimo a trabalhadores do estado.

Essa foi a quarta visita do presidente ao estado desde o início da crise climática. Na penúltima visita, Lula comunicou a abertura de três novas linhas de financiamento, totalizando R$ 15 bilhões em apoio às empresas afetadas.

Impacto e mobilização

A tragédia no Rio Grande do Sul mobilizou esforços de todo o país para ajudar na recuperação do estado. Além dos recursos financeiros, a solidariedade da população e a mobilização de profissionais de diversas áreas têm sido fundamentais para enfrentar a crise.

As fortes chuvas deixaram um rastro de destruição, com 2.392.686 moradores afetados, 572.781 desalojados e 806 feridos. O esforço de reconstrução e assistência continua, com o objetivo de restabelecer as condições de vida para os milhares de gaúchos impactados pelo desastre climático.

Enchentes no RS | Operadoras liberam internet móvel para ajudar na comunicação Vinícius Moschen


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