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Mundo
25/04/2024 11:00:00

Mais de 280 milhões de pessoas estiveram em situação de insegurança alimentar aguda em 2023


Mais de 280 milhões de pessoas estiveram em situação de insegurança alimentar aguda em 2023

Rfi

A insegurança alimentar no mundo piorou em 2023, com quase 282 milhões de pessoas precisando de ajuda emergencial como resultado de conflitos, particularmente em Gaza e no Sudão, mas também de eventos climáticos extremos e choques econômicos, alertaram 16 organizações humanitárias e da ONU nesta quarta-feira (24). 

São 24 milhões de pessoas a mais do que em 2022, e as perspectivas continuam “sombrias” para o ano de 2024, de acordo com o último relatório global da Food Security Information Network (FSIN), produzido para a Global Food Crisis Network.

Segundo o último Relatório sobre a Crise Alimentar Global, mais de uma em cada cinco pessoas em 59 países enfrentaram insegurança alimentar aguda em 2023, em comparação com cerca de uma em cada dez pessoas em 48 países em 2016.

Esse foi quinto ano consecutivo de aumento no número de pessoas que enfrentam altos níveis de insegurança alimentar aguda. Os dados indicam que o objetivo de atingir a meta de acabar com a fome até 2030 será um imenso desafio.

Tendência de piora desde a crise da Covid-19

De acordo com a ONU, as crises alimentares se agravaram de forma alarmante nas zonas de conflito em 2023, especialmente na Faixa de Gaza e no Sudão.

“Quando falamos de insegurança alimentar aguda, estamos falando de uma fome tão grave que representa uma ameaça imediata aos meios de subsistência e à vida das pessoas. É uma fome que ameaça se transformar em fome e causar mortes em grande escala“, segundo Dominique Burgeon, diretor do escritório da FAO durante uma coletiva de imprensa em Genebra.

O relatório - uma iniciativa conjunta envolvendo a FAO, o Programa Mundial de Alimentação das Nações Unidas (PMA) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) - revelou que, embora a porcentagem geral de pessoas definidas como em situação de insegurança alimentar perigosa no ano passado tenha sido 1,2% menor do que em 2022, o problema piorou consideravelmente desde a crise da Covid-19.

Quando o coronavírus surgiu no final de 2019, cerca de uma em cada seis pessoas em 55 países enfrentava níveis preocupantes de insegurança alimentar, em comparação com uma em cada cinco no ano seguinte, diz o Relatório sobre a Crise Alimentar Global.

As pessoas passam fome diariamente em Gaza

Nos principais conflitos, principalmente no leste da República Democrática do Congo, na Faixa de Gaza e no Sudão, a situação nutricional de crianças, mulheres grávidas e mães que amamentam é muito preocupante.

As crises alimentares pioraram “de forma alarmante” em 2023, observam os autores do relatório, citando preocupações específicas sobre o Sudão e Gaza “onde as pessoas estão claramente passando fome”, disse Gian Carlo Cirri, diretor do escritório do PMA em Genebra.

Depois de quase sete meses de bombardeio israelense em Gaza, “as pessoas não conseguem nem mesmo atender às suas necessidades alimentares mais básicas, elas esgotaram todas as estratégias de sobrevivência, como comer forragem, mendigar, vender seus bens para comprar comida”.

As populações palestinas estão, em sua maioria, “destituídas e está claro que algumas delas estão morrendo de fome”, disse Cirri.

Para esse alto funcionário da ONU, a única maneira de acabar com a fome é garantir a entrega diária de alimentos “em um espaço muito curto de tempo”.

Evitar a fome durante as "vacas magras"

No Sudão, as populações das regiões de Cartum, Grande Darfur e Grande Cordofão correm o risco de níveis catastróficos de insegurança alimentar aguda diante da falta de perspectiva para um fim das hostilidades e da chegada de ajuda humanitária significativa.

“É absolutamente essencial que, sempre que o acesso for possível, forneçamos às pessoas insumos agrícolas a tempo de plantarem suas culturas. Se essas pessoas não conseguirem fazer o plantio, isso significa que teremos que nos preparar para necessidades massivas de assistência alimentar até a colheita do próximo ano", insistiu.

Altos níveis de insegurança alimentar no Sahel

Os conflitos e a insegurança - especialmente na Faixa de Gaza e no Sudão, bem como no Haiti - continuarão sendo o principal fator de insegurança alimentar aguda ao longo de 2024.

Como o fenômeno El Niño atinge seu pico no início de 2024, seu impacto sobre as crises alimentares - incluindo inundações e secas em partes da África Oriental e secas no sul da África - será provavelmente sentido durante todo o ano.



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