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Guerra
11/11/2023 02:00:00

Conflitos globais estimulam o garimpo na América Latina

Preço do ouro no mercado internacional disparou após guerra na Ucrânia e ataques do Hamas contra Israel.


Conflitos globais estimulam o garimpo na América Latina

Com o aumento das incertezas econômicas pela guerra entre Israel e Hamas, um velho conhecido voltou a aparecer como investimento seguro: o ouro. Justamente quando o metal vinha de uma queda nos preços, o conflito deu novo impulso às cotações, que subiram cerca de 10% desde os ataques de 7 de outubro. Os reflexos desta alta ultrapassam o setor financeiro e chegam até garimpos da América Latina.

Além das chamadas compras físicas, que vão de barras de ouro a joias, muitos investidores buscam os chamados ETFs, ou fundos de índices, que replicam as movimentações do metal no mercado internacional. A principal cotação nos mercados é a da chamada onça-troy na New York Mercantile Exchange (NYMEX), onde o ouro é negociado em dólares. Nos últimos dias, o metal vem rondando os 2.000 dólares (R$ 9.746) por onça-troy, um valor próximo de seu recorde histórico.

Até 2019, o ouro vinha sendo cotado próximo de 1.300 dólares. A chegada da pandemia, porém, impulsionou os preços. Com a invasão da Ucrânia pela Rússia, o metal teve outro estímulo, em parte devido ao aumento da procura pela commodity por bancos centrais. Após as sanções contra Moscou, o ouro passou a ser visto como mais seguro por muitos governos, o que estimulou a demanda pelas autoridades monetárias, que, no primeiro semestre de 2023, foi a maior já registrada.

"A compra pelos bancos centrais é um elemento que tem apoiado os preços do ouro. Vemos isso principalmente como uma declaração política a Washington, sinalizando desconforto com a política internacional dos EUA", afirma Carsten Menke, líder de pesquisa do banco Julius Baer.

"O gatilho mais importante foi o congelamento dos ativos russos, levando os países que não estão alinhados com o Ocidente a diversificar algumas das suas reservas monetárias em ouro", afirma o analista. China e Turquia estão entre os grandes compradores recentes, por exemplo. "Esperamos que as aquisições de ouro pelos bancos centrais permaneçam fortes no futuro próximo, apoiando os preços", projeta.

Já o aumento do preço do ouro desde os ataques do Hamas foi, acima de tudo, impulsionado por uma mudança de humor entre os comerciantes especulativos, avalia Menke. Em sua visão, o aumento nos preços do metal, maior do que em conflitos anteriores, ocorre também por um pessimismo geral com a economia global antes dos ataques.

Para Carsten Fritsch, analista de commodities do Commerzbank, é "evidente que o ouro está lucrando com o seu papel de porto seguro em tempos de maior incerteza e aversão ao risco".

Estímulo ao garimpo

A relação entre a alta nos preços do metal e o avanço do garimpo na América Latina já foi citada por um relatório da Interpol, em 2022. "Há uma relação direta entre o aumento do ouro nos mercados globais e o preço dos mercados locais, ainda que de maneira ilegal", reforça Daniel Bonilla Calle, professor de negócios internacionais da Fundação Universitário CEIPA, acrescentando que os preços da mineração ilegal se comportam e têm o mesmo movimento da exploração legal.

"Quando há picos internacionais, se produz o que se chama de bonanças de ouro nos mercados locais. Isso atrai mineradores ilegais e grupos armados, além de outros atores que queiram entrar na atividade", resume Bonilla.

O especialista destaca que um dos motivos que movimenta o mercado ilegal é o valor entre 20% e 30% mais barato do ouro desta origem. No Brasil, estimativas são de que cerca de metade do metal exportado pelo país tenha origem ilegal. Na Colômbia, os cálculos são de que 80% dos envios de ouro ao exterior não tenham origem legal.

"Há uma cadeia complexa, e muitas vezes os compradores finais não têm uma visão de 100% de onde o material veio", afirma Livia Wagner, chefe de governança da Global Initiative, organização civil que estuda o crime organizado internacional. De acordo com a especialista, o metal no exterior é buscado não apenas na joalheria, mas também para a produção de equipamentos eletrônicos.

Fonte dw.com/pt-br/



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