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Saúde
29/10/2023 22:00:00

Adaptação do vírus da gripe aviária às células de mamíferos preocupa setor da saúde

Jansen de Araújo observa, porém, que não existe uma eficiência grande dessa transmissão de mamífero para um outro mamífero


Adaptação do vírus da gripe aviária às células de mamíferos preocupa setor da saúde

No início de outubro de 2023, o Brasil registrou seu primeiro foco de H5N1 em mamíferos. A influenza aviária A é uma cepa do vírus da gripe com alta patogenicidade, que tem poder de infectar várias espécies, como humanos, suínos, aves e baleias. A hemaglutinina do tipo 5 e a neuraminidase do tipo 1, combinação que resulta nesse subtipo de vírus, têm alta afinidade com células de aves – e por isso essa cepa é popularmente conhecida como gripe aviária. 

Jansen de Araújo, professor do Instituto de Ciências Biomédicas da USP e participante da Rede Previr (Projeto Rede de Vigilância de Vírus) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, aponta que uma das principais preocupações entre os profissionais da área é a adaptação do vírus às células de mamíferos, o que não era visto em contaminações anteriores. “Porém, o que tem se observado também é que não existe uma eficiência grande dessa transmissão de mamífero para um outro mamífero, então ainda o vírus não possui essa autonomia”, aponta Araújo. Por enquanto, os humanos infectados foram aqueles que tiveram contato direto com aves portadoras do vírus.

Disseminação do vírus

De acordo com o professor, o vírus H5N1 é transmitido via aerossóis – partículas menores que as gotículas que ficam suspensas no ar –  e por contato direto com animais infectados. O alerta sobre o ressurgimento desse subtipo de influenza aconteceu no final de 2021, e as identificações de caso surgiram durante todo o ano de 2022. “O foco apareceu nos Estados Unidos e foi se espalhando rapidamente pelo país. Várias espécies foram identificadas, além das aves silvestres, aves de granjas e outras espécies foram sendo identificadas com H5N1”, explica Araújo. 

Jansen Araújo – Foto: IEA

Durante o ano de 2022 e no início de 2023, foram identificados inúmeros casos, principalmente em aves silvestres e de granja na América Central, o que comprovou a disseminação do vírus. “Nós acompanhamos a descida desse vírus através das rotas migratórias pela costa do Pacífico, chegando em países como Colômbia, Peru e Equador. Na costa do Peru, onde há uma grande concentração de  leões marinhos, houve uma grande mortalidade desses animais com a chegada do vírus”. Além disso, o professor também comenta que os pelicanos também foram acometidos pelo H5N1 e a espécie sofreu grandes perdas. 

O que foi observado, segundo Araújo, é que nos locais em que o vírus chegou através das rotas migratórias houve um estrago expressivo tanto nas granjas quanto em aves de fundo de quintal, além da infecção de outras espécies de mamíferos. Esse cenário causa receio nos especialistas, já que mostra a facilidade de espalhamento e transmissão. 

Cuidados

Até o momento, casos de gripe aviária em mamíferos no Brasil estão concentrados na região Sul do País. Esses animais infectados, como explica Araújo, não possuem nenhum tipo de proteção contra o vírus, o que causa um grande impacto ecológico nas regiões em que esses animais se concentram. 

Para evitar maiores devastações, o professor acredita que precisa haver um monitoramento dos casos, além de uma orientação para que a população local não se aproxime nem mexa nesses animais. Caso um civil identifique um animal infectado, é preciso chamar o serviço de defesa responsável pela região, para que a coleta seja feita por profissionais especializados e que os diagnósticos sejam emitidos de acordo com as normas brasileiras. 

Questões econômicas 

Atualmente, o Brasil é o maior exportador de frango do mundo. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), foram produzidas mais de 15 milhões de toneladas dessa carne, o que colocou o País em segundo lugar na produção mundial. Uma possível epidemia de H5N1 poderia ter um impacto econômico gigantesco, devido à sua posição de prestígio no mercado internacional.

Fonte Jornal da USP



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