24/03/2016 17:17:45 Opinião | Pinião

OAB e o golpe




No último dia 18, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil deliberou, por 26 a 2, apoiar o processo de impeachmentcontra a presidente Dilma Rouseff, alicerçado nos atos de improbidade por ela praticados, já em seu segundo mandato, uma vez que os crimes colacionados em seu governo anterior não serviriam para materializar o suporte fáctico do impeachment, no linguajar dos juristas Pontes de Miranda e Marcos Bernardes de Mello.

 

Na verdade, a OAB precisava externar sua posição há muito tempo. O “desaparecimento” da Ordem nos últimos três anos deixou a sociedade brasileira na condição de órfã de sua maior representante. Aqui não cabe falar sobre esse obscurantismo temporário, muito menos sobre esses dois votos destoantes, mas sobre seu ressurgimento forte e altaneiro.

 

Apesar do clamor social, fruto não de pregação ideológica, mas da indignação de pessoas ordeiras e trabalhadoras que já não suportam mais o mar de lama no qual a política nacional afunda, há uma parteda sociedade que, por motivos ideológicos, políticos e pessoais, insiste em tentar sistematicamente desviar o foco da podridão desse conluio criminoso entre políticos e empresários, buscando justificar o injustificável e, de forma repetitiva e inconsistente, afirmar que o processo constitucional de impeachment, alicerçado no melhor direito pátrio, seria um “golpe”.

 

Esta semana, dia 22, vi com surpresa a criação de um grupo denominado “juristas contra o impeachment”, formado por advogados, promotores, defensores públicos e magistrados, irem dar apoio à presidente da República. Confesso-lhes que fiquei abismado com a desfaçatez do discurso apregoado por esse grupelho, comargumentos inconsistentes, lastreados na falsidade de fatos e juridicidade. Sabem a tal vergonha alheia? Foi o que senti, verdadeiramente.

 

Nessa mesma toada, os defensores desse governo corroído pela falta de ética e pela corrupção, que tanto cantaram e decantaram a nossa Ordem dos Advogados do Brasil como guardiã dos perseguidos pelo regime militar, da luta contra a ditadura, da abertura democrática, da luta pela Anistia, das Diretas Já, da primazia do processo de impeachment contra o ex-presidente Fernando Collor de Mello, hoje a atacam chamando-a de golpista.

 

Por mais que se queira desvirtuar fatos e mudar a história, ela persiste em sua verdade e inteireza. Durante estes muitos anos de governo “luladilmista”, tenta-se desvirtuar a história com a versão dourada de que a luta “democrática” de parte desses “líderes”, em sua maioria condenados por corrupção, era para instalar uma democracia no Brasil, quando todos estão cansados de saber que a intenção era a de transformação do País numa republiqueta comunista.

 

Na verdade, aquela OAB que deu apoio ao governo revolucionário encabeçado pelo General Castelo Branco, que assumiu a presidência de forma temporária e pretendia restaurar a normalidade democrática rapidamente, acompanhou o sentimento da maioria esmagadora do povo brasileiro à época. E assim também ocorreu no caso do ex-presidente Collor. A OAB sempre esteve ao lado da sociedade brasileira e se voltou contra o governo ditatorial que se instaurou depois, vindo a sofrer perseguições por sua firmeza de propósitos em defesa da liberdade e da democracia.

 

Liberdade e democracia que estão sob risco, por conta desses criminosos que estão hoje no poder e dele não aceitam sair de modo algum, nem que pra isso tenham que recorrer a ações ilegais de toda     ordem. O que deram com uma mão aos mais carentes, para mais fácil controlá-los, estão tirando com a outra e, o que é pior, espalhando mentiras e fazendo crescer um sentimento de intransigência, que ameaça a paz e o espírito de bom convívio entre os brasileiros.

 

É lamentável ver essa turma patética de ex-guerrilheiros experimentados, querendo posar de vítima de um “golpe”. Logo eles, que pediram em alto e bom som a saída antecipada de todos os presidentes imediatamente anteriores ao senhor Lula, e que andam abraçados a ditadores mundo afora, gente que não respeita direitos humanos, persegue jornalistas e manda prender e matar quem deles discorda.

 

Brasileiros e brasileiras (como dizia um presidente que também não deixou saudades), vamos nos manter unidos para resgatar o Brasil e livrá-lo dos corruptos que estão no poder e dos que a ele  querem chegar, porque o Brasil não pode continuar sendo conduzido pelasmãos dessa minoria desonesta.

 

Omar Coêlho de Mello


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