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26/01/2022 17:00:00

Trajetória de jovem surfista alagoano foi de título brasileiro à tortura e fim trágico


Trajetória de jovem surfista alagoano foi de título brasileiro à tortura e fim trágico

Encontrado morto com marcas de tiros, no bairro de Levada, em Maceió, no último sábado, 22, o surfista Wellington Reis, de 20 anos, considerado grande promessa do esporte em Alagoas, foi alvo de atentado e tortura em 2017, em uma possível rixa entre gangues do Conjunto Joaquim Leão, em Maceió, e de Marechal Deodoro. Campeão ainda adolescente, o surfista começava naquele momento a desviar do caminho que poderia ser de sucesso e estava iniciando um percurso sem volta no mundo das drogas.

Em 04 de setembro daquele ano, Wellington foi encontrado com ferimentos causados por arma de fogo e sinais de tortura. Ele havia sido sequestrado no dia anterior, enquanto jogava bola em um campo no Conjunto Joaquim Leão, quando dois homens armados o abordaram. Os suspeitos teriam levado o jovem até a margem da Lagoa Mundaú e efetuado disparos. Ainda segundo o que a polícia informou na ocasião, Wellington desmaiou após os tiros e foi levado pelos agressores até uma embarcação, onde foi torturado.

“Quando o garoto acordou, ele percebeu que iriam cortar um segundo dedo de sua mão e pulou na lagoa. Nadou por debaixo d’água até a margem, quando foi encontrado por pescadores da região do Pontal”, explicou o subtenente Brandão, do Batalhão de Polícia Ambiental, na época. Um vídeo mostra o momento em que o rapaz foi resgatado pelos policiais. 

Wellington foi internado no Hospital Geral do Estado (HGE), no Trapiche, com ferimentos por arma de fogo na perna, no ombro e com o dedo indicador esquerdo decepado. O jovem reconheceu os suspeitos em depoimento aos policiais e a resposta das autoridades alagoanas foi rápida. No dia 5 de setembro, foram presos cinco suspeitos de participarem do sequestro e tortura do surfista

Nos últimos anos, Wellington havia deixado a casa dos pais e abandonado as competições oficiais de surfe. Apesar de todas as tentativas, o jovem não conseguiu largar o vício e vivia em situação de rua.

Título nacional e futuro promissor - Ainda quando era adolescente, Wellington foi campeão invicto do Circuito Brasileiro Sub-14 em 2015 e venceu todas as etapas da competição, ultrapassando atletas de cidades brasileiras como Rio de Janeiro e São Paulo, que tinham estruturas mais amplas para abrigar surfistas profissionais.

 

Despontava naquela época mais um talento brasileiro no surfe. Os circuitos mundiais do esporte estão cada vez mais em destaque e, na Olimpíada de Tóquio, em 2021, entrou na lista de esportes olímpicos. O Brasil é um dos países que vem dominando as competições. O nordestino Ítalo Ferreira levou o ouro no Japão e, ao lado de Gabriel Medina, acumula títulos mundiais nos últimos anos. 

Em entrevista ao TNH1, em 2017, o então amigo e que também já foi um dos patrocinadores do garoto, Paulo Marinho, mais conhecido como Marinho Shaper, disse que Wellington era reconhecidamente um dos mais promissores jovens surfistas de Alagoas naquela época. O ex-campeão havia abandonado o esporte seis meses antes de ser torturado, por possível envolvimento com drogas.

“Antes da decisão de deixar o surf, ele foi sensibilizado por apelos de vários amigos dos cenários nacional e internacional da modalidade, como Julio César, Filipe Toledo e Michael Rodrigues, que têm muito apreço e admiração pelo jovem alagoano. Eles chegaram a se manifestar por meio de vídeos para incentivar a volta dele ao esporte”, contou Shaper na ocasião.

“Ele é muito querido e conhecido por atletas do país todo. Tinha muitos patrocinadores. Eu era quem fabricava as pranchas dele. Ele era bem aceito por todos e tinha mais visibilidade em outros estados do que aqui”, completou.

Investigação - A Polícia Militar comunicou que esteve no bairro da Levada, no último sábado à noite, depois de ter sido acionada por populares que relataram ter ouvido o som de tiros. Wellington Reis, que atualmente vivia em situação de rua, foi localizado com ferimentos na cabeça. 

A Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa, da Polícia Civil, já designou o delegado Bruno Emílio para comandar as investigações. Ninguém foi preso pelo crime até o momento. A motivação do assassinato também é desconhecida por enquanto.

Tnh1



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